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Revista Inteligência Empresarial - n.29

RH: Crise e Redenção

Centro de Referência em Inteligência Empresarial da Coppe/UFRJ

Qual é o papel da área de Recursos Humanos das empresas no novo cenário corporativo, marcado pela primazia dos processos, da tecnologia, da informação e do conhecimento? Enquanto outras áreas fervilham – o BSC renova o planejamento, a noção de cadeia de suprimentos revoluciona a logística, a Internet desafia o marketing, e outras novas surgem – responsabilidade social, governança corporativa – a área de Recursos Humanos encolhe. Como mostra Rogério Valle, professor do Programa de Engenharia de Produção da Coppe/UFRJ, e coordenador do SAGE – Laboratório de Sistemas Avançados de Gestão da Produção, aonde quer que se vá, o RH ficou pequeno. “Um gerente para organizar os treinamentos básicos, um psicólogo para os testes de seleção, e pronto. De quando em vez, a mais amaldiçoada das tarefas: organizar os planos de demissão.”

Apesar de ter-se transformado em uma espécie de patinho feio nas empresas, as novas técnicas de gestão da produção dependem fortemente da qualidade da intervenção das pessoas nos processos, afirma Valle. Como o RH pode se valer dos novos espaços organizacionais que lhe são assim abertos? Trocando sua clássica visão funcional por uma visão de processos.

É o que ele propõe no artigo de abertura desta edição de Inteligência Empresarial, intitulado RH: crise e redenção. Segundo Rogério, “a nova identidade do RH – a de função prestadora de serviços aos processos organizacionais – não difere da que vem sendo assumida por outras áreas igualmente importantes, como a de Tecnologia da Informação. A importância de técnicas apropriadas de RH talvez seja ainda maior do que na fábrica fordista, pois as novas ferramentas de gestão adotadas pelas empresas dependem profundamente da intervenção cuidadosa e competente das pessoas”, defende.

Ainda dentro da área de gestão de pessoas, Ana Rosa Chopard Boulinari apresenta o artigo Educação Corporativa – reflexões sobre sua razão de ser e seus limites. Ela, que fez carreira profissional nessa área, na Embratel, e atualmente, preside a ABEC – Associação Brasileira de Educação Corporativa, discute a razão de ser da educação corporativa nos dias atuais, fruto da evolução havida nas organizações especialmente para fazer frente aos desafios da competição que o modelo econômico atual vem provocando. A artigo parte da observação de que há um repensar nas empresas sobre o valor do investimento em educação corporativa para apoiar estratégias corporativas possibilitando ações “educacionais”, ou seja, ir além dos programas voltados apenas à habilitação pura e simples para um posto de trabalho.

Na área de inteligência competitiva, Gerson Rosenberg, Maria da Graça Derengowski Fonseca e Luiz Antonio d’Avila falam dos fatores de competitividade que norteiam as estratégias das empresas fabricantes de medicamentos genéricos no Brasil. O artigo dos três autores apresenta evidências de que a concentração no segmento industrial dos fabricantes de genéricos é tão importante quanto à de marcas. Além disso, o artigo examina alguns aspectos regulatórios e de política de desenvolvimento dos medicamentos genéricos, bem como as tentativas do governo para assegurar o acesso a remédios mais baratos à população de baixa renda.

A gestão do conhecimento é tema dos dois artigos seguintes. Do Paraná, Verônica Leuch e Hélio Gomes de Carvalho apresentam Práticas de gestão do conhecimento em indústrias de grande porte dos Campos Gerais, analisando as práticas gerenciais relacionadas à GC nessas empresas paranaenses, apontando as que já estão consolidadas, as em processo de consolidação e as pouco consolidadas. Já Marcus Vinícius Verol e Luiz Alberto Nascimento Campos Filho discutem a gestão do conhecimento no relato da internacionalização da WEG, uma multinacional brasileira fabricante de motores elétricos e transformadores. O estudo de caso, com fins didáticos, mostra a visão e as ações da WEG em busca da liderança mundial em seu mercado.

Por fim, a pesquisadora do Núcleo de Solidariedade Técnica da UFRJ (Soltec) e doutora em engenharia de produção pela Coppe, Heloisa Helena Gonçalves colabora com esta edição comentando criticamente o livro Economia de Comunhão: Empresa para um capitalismo transformado, de Sergio Proença Leitão e Mario Couto Soares Pinto. Heloisa, que fez sua tese sobre os pioneiros da economia da comunhão no Brasil, apresenta a experiência como um contraponto à perspectiva gerencial dominante nestes tempos de globalização.

Com esse amplo espectro sobre temas relevantes para o mundo corporativo, ficam nossos votos de uma boa leitura. E de que ela contribua para o avanço das práticas de gestão brasileiras.

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