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Revista Inteligência Empresarial - n.02

Janeiro de 2000

Centro de Referência em Inteligência Empresarial da Coppe/UFRJ

 

Ao se analisar o ambiente dos negócios, nota-se um clima dinâmico, com contornos de incerteza e alguma instabilidade, pontilhado com vários focos de alto crescimento. Nesse contexto, três movimentos, aparentemente cíclicos, mas também parcialmente superpostos, dominam a cena da competição pelo mercado: aperfeiçoamento de tecnologias, substituição (mudança de paradigmas tecnológicos) e desenvolvimento de novos produtos e serviços.

Empreendedores e pequenas empresas – onde e como ficam?
Os comentários acima talvez reflitam bem as tendências para as organizações de alta tecnologia, de médio e grande porte, mas vamos aprofundar nossa reflexão para discutir as oportunidades e expectativas à frente dos empreendedores e das pequenas empresas.

Que ingredientes são necessários, e em que proporção estes devem ser utilizados, para que novas empresas, estreantes na economia do século XXI, tenham sucesso sustentável?

Esta indagação nos traz outras, igualmente amplas e passíveis de múltiplas visões: Quais são as características dessa economia, pós-industrial, globalizada e mutante? Como devem as novas empresas navegar nesse ambiente? Que bagagem (intelectual) sugere-se nessa jornada?

Esta revista estará, a cada número, trazendo depoimentos, artigos e análises, com importantes subsídios, para que o leitor encontre suas respostas. Incrementando o debate, retomemos a discussão ao longo de três eixos: o do profissional; o do empreendedor; e o do ambiente dos negócios.
O profissional e sua jornada
Observa-se, hoje, uma tendência de hipertrofia no componente intelectual na maioria das oportunidades de trabalho. O ciclo de vida das rotinas encurta-se cada vez mais, na medida em que processos e produtos são continuamente aperfeiçoados, recriados e diferenciados. Os controles tornam-se menos rígidos, ao mesmo tempo em que é ampliada a ênfase nos resultados (no sentido mais amplo). Como conseqüência, o trabalho torna-se mais variado e com mais interfaces. Praticamente não há mais trabalhos isolados, mas equipes e redes, onde é comum aos profissionais participarem simultaneamente de várias delas.

Esse novo contexto elevou a importância de requisitos como: comportamento produtivo em equipe e facilidade de relacionamento interpessoal aos mesmos patamares da boa formação e experiência profissional. Por outro lado, a continuidade das mudanças trouxe um conceito novo para esse ambiente, que é a educação continuada para os indivíduos e para as empresas. Na verdade, trabalhar e aprender são atividades sinérgicas e talvez indissociáveis nas empresas do futuro. Aparentemente, ganha aceitação generalizada um “novo” significado para educação e aprendizado e que já é praticado, há algum tempo, na orientação do MIT a seus professores, quando sugere que 70% do tempo dos estudantes devam ser dirigidos aos objetivos de aprender a pensar e aprender a aprender, deixando os outros 30% para a absorção dos conhecimentos formais das disciplinas ministradas.
O empreendedor e o empreendimento
Um debate entre um empreendedor bem-sucedido e um estudioso de casos resumiu que o sucesso inicial depende de: “uma liderança forte e voltada para realizações; uma boa equipe inicial que combine competências variadas e complementares; uma boa idéia (de tecnologia avançada talvez) com forte orientação e integração ao mercado; e uma estratégia altamente focalizada”.
Ao se avaliarem competências, é bom lembrar que um bom técnico leva aproximadamente seis meses para dominar uma tecnologia, de sua área de formação, ao passo que são necessários de dois a três anos para se dominar o entendimento do mercado.

A diferenciação de seu produto é algo essencial, e para tanto o empreendedor deve seguir pistas colhidas: (i) dos clientes – entendendo o que eles estão fazendo hoje com esse tipo de produto e o que gostariam de fazer; (ii) da tecnologia – pesquisando o que há de novo para alavancar o desempenho do produto; e (iii) dos concorrentes – monitorando o que eles estão fazendo. A integração das aspirações dos clientes com a tecnologia, no segmento de mercado escolhido, é o que realmente faz a diferença entre sucesso e fracasso.

Finalmente, vale lembrar que o maior risco aos genuínos empreendedores que conseguem o capital para montar seu negócio não é o fracasso prematuro. Falhar é circunstancial e com isso ele ganha muita experiência, e dentro de um ou dois anos, poderá empreender de novo. O maior risco é ficar “patinando” com a mesma coisa por cinco a 10 anos, pois nesse caso ele estará apenas repetindo a mesma lição, ao invés de aprender outras.
O ambiente dos negócios
Se por um lado é difícil apontar todos os fatores que mais decisivamente irão moldar o futuro, por outro lado, há alguns que são quase unanimemente reconhecidos como tal. As transformações da sociedade. Fruto dos avanços científicos e tecnológicos na medicina e saúde pública, a expectativa de vida aumentou muito nos últimos anos, especialmente nos países em desenvolvimento, onde também se observa uma redução na taxa de natalidade. Conseqüentemente, haverá um envelhecimento da sociedade nos próximos 10 a 20 anos com seus inerentes reflexos nas aspirações dos clientes sobre o mercado. Paralelamente, a gradual ascensão ao poder das minorias, tanto como consumidores quanto como atores, estará continuamente causando transformações nos padrões de consumo e na variedade e diferenciação dos produtos ofertados. Particularmente das mulheres, assumindo sua cota de liderança nas novas empresas, é esperado que tragam para o jogo do mercado características e qualidades ainda pouco exploradas, como intuição, sensibilidade e capacidade de compatibilizar o desempenho de múltiplos papéis.

A disponibilidade da informação e a virtualidade. A convergência e o rápido desenvolvimento das tecnologias de comunicação e computação possibilitaram o surgimento da Internet e continuam viabilizando a exponenciação de seu crescimento.

A Internet, por sua vez, causou uma mudança de escala no empreendedorismo, numa onda multiplicativa, que deverá persistir nos próximos 10 anos. Hoje, em termos de canais de mercado, vivemos a época do @-tudo, fenômeno que vemos comentado e analisado nos vários periódicos e revistas de nosso contato diário e ao qual dedicamos o artigo âncora deste número. Novos fatos parecem despontar, se observarmos que há uma convergência de tecnologias impulsionando a televisão, o telefone, o fax e o computador que deverá permitir, em breve, a habilitação de uma série de processos, de interesse do trabalho e do entretenimento, num único instrumento integrado.
A realidade virtual, em formas cada vez mais sofisticadas, já faz parte dos jogos com que brincam nossos filhos, preparando essa geração para um novo mindset na forma de encarar os negócios. No tocante ao @-business, a realidade é a que se apresenta na rede, não importando o quão virtual seja a organização com a qual estamos lidando.

São, pois, imensas as oportunidades para que pequenas empresas cresçam incorporando novos serviços e produtos, viabilizados através de associações e incluídos no seu portfólio de organização virtual. Igualmente pródigas são facilidades para que grandes empresas se desverticalizem e se tornem mais competitivas, virtualizando a maioria de suas off core competencies.
O assunto é longo e nosso papel é apenas instigar o leitor à reflexão. Aproveitem a leitura de nossa revista.

Até o próximo número,

Os Editres

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