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Análise crítica das organizações

Estudos e reflexões

Heloisa Coutinho e Maurício Dwek (orgs.)

Os trabalhos reunidos nesta coletânea foram produzidos por alunos de Mestrado e Doutorado da disciplina "Análise crítica das organizações", ministrada no primeiro período de 2010, no Programa de Engenharia de Produção da Coppe/UFRJ, ênfase em Gestão e Inovação. Trata-se de uma seleção efetuada entre os 30 trabalhos realizados pela turma.

O objetivo da disciplina consistia em apresentar e discutir alguns temas críticos em Estudos Organizacionais. No início das aulas, um rápido levantamento por questionários revelou que a grande maioria dos alunos inscritos tinha uma ideia imprecisa do significado do termo "crítica". Cerca de 2/3 das respostas indicavam até um profundo desconhecimento. Isso não é surpreendente, já que na graduação em engenharia de produção, em administração e nas demais áreas, o pensamento crítico ocupa um espaço muito reduzido ou até desapareceu, em favor dos mitos da competitividade e do realismo de mercado. Para muitos alunos, a disciplina foi então um momento de descoberta e de reflexão sobre os seguintes temas:

  • Tendências de análise organizacional: da Sociotécnica aos atuais Estudos Organizacionais
  • Legado da teoria crítica
  • Critical Management Studies
  • Estudo das práticas de controle das organizações
  • Novas formas de autoritarismo
  • Liderança carismática, alienação, assédio moral
  • Implicações na organização por projetos e redes
  • Dispositivos de pesquisa nas organizações
  • Implicações da análise crítica das organizações para o ensino e a pesquisa em Engenharia de Produção

Tivemos a oportunidade de convidar o Prof. José Henrique de Faria, da UFPR de Curitiba, principal coordenador da área de Estudos Organizacionais no Brasil e propagador do pensamento crítico nesse contexto. Sua palestra sobre a Teoria Crítica teve grande repercussão junto à turma.

Em seu conjunto, a disciplina abrangeu conhecimentos e informações sobre a evolução das teorias administrativas e resgatou aspectos do pensamento crítico brasileiro: Alberto Guerreiro Ramos, Maurício Tragtenberg, Fernando Prestes Motta. Com José Henrique de Faria, foi destacada a contribuição do marxismo e da teoria crítica (Escola de Frankfurt). Discutimos também concepções apoiadas em Mats Alvesson, Michel Foucault, Luc Boltanski e Christophe Dejours.

Observa-se que o pensamento crítico, em suas várias tendências, não se acomoda aos interesses imediatos de tipos individual, coletivo ou até mesmo comunitário, que estão à base de discursos, mitos e crenças prejudiciais à transparência das práticas organizativas. Apesar da exacerbada racionalização das organizações modernas, permanecem e se renovam formas de autoritarismo, de carisma patológico na relação entre líderes e seguidores, de assédio moral e sexual, cujos mecanismos são objeto principal dos Estudos Organizacionais, em perspectiva reflexiva e crítica.

Para uma formação de engenheiros e de administradores que adote essa perspectiva, o conhecimento baseado nos autores citados é fundamental e precisa ser estimulado e divulgado por meio de seminários e de publicações como esta, sob a responsabilidade dos próprios estudantes. Agradecemos ao Programa de Engenharia de Produção pelo apoio dado a esta iniciativa.

Prof. Michel Thiollent
PEP - Responsável pela disciplina "Análise crítica das organizações"

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