capa do livro

Desenvolvimento, emoção e relacionamento na escola

Contribuições da Psicologia para a Educação

Andrea Goldani, Marco Aurélio Togatlian e Rosane de Albuquerque Costa

O relacionamento professor-aluno não tem a mesma atenção na literatura quando comparado a outros assuntos da área. A abordagem do tema neste livro está focalizada na investigação da literatura existente a respeito. O relacionamento entre professores e alunos é investigado desde a Educação Infantil até o fim do Ensino Médio. Durante todo o ciclo escolar, os alunos encontram-se com seus professores e mantêm relacionamentos com estes. Os relacionamentos podem definir como o aluno vai encarar o dia a dia da escola em todos os níveis de ensino. Tais relacionamentos podem ser decisivos para o sucesso acadêmico e, de acordo com a idade do aluno, podem influenciar também nas escolhas futuras, como as disciplinas que mais gostam ou as que menos gostam, o tipo de vínculo que mais lhe agrada ou mesmo a carreira que irá seguir. O ambiente escolar pode ser agradável ou insuportável, e os professores interferem diretamente nessa questão.

O professor que tem condições de propiciar esse ambiente com vistas a uma formação integral do aluno é alguém também capaz de perceber quando as coisas não vão bem com esse aluno, ou seja, perceber se ele apresenta dificuldades vinculadas com o ambiente de aprendizagem, com o método utilizado, com as relações interpessoais ou com problemas outros que interferem no processo de aquisição do conhecimento. Dentre esses problemas, podemos ressaltar o TDA/H, que vem assolando uma quantidade significativa de alunos e, muitas vezes, por não ser corretamente diagnosticado, acaba sendo mal conduzido no que diz respeito ao tratamento e acompanhamento, sendo um dos grandes responsáveis pelo fracasso escolar.

Não se espera que o professor faça o diagnóstico, uma vez que não tem essa função, mas que possa contribuir com os profissionais que irão participar do atendimento desse sujeito. O tratamento do TDA/H pressupõe a tríade família, escola e profissionais especializados; dessa forma, a presença do professor nesse processo é fundamental a fim de diminuir os índices associados ao fracasso.

A utilização de programas de desenvolvimento cognitivo pode auxiliar de forma significativa na remissão dos sintomas. O Programa de Enriquecimento Instrumental do Prof. Reuven Feuerstein pode ser uma alternativa interessante. O conhecimento do programa e da metodologia que o embasa pode ser de extrema relevância para a ação docente.

Finalmente, veremos como se produz socialmente o fracasso escolar e suas articulações com a subjetividade. Estamos vivendo um momento histórico em que a educação pública em nosso país tem recebido importantes aportes financeiros. Temos novas políticas públicas para a educação, estabelecidas pelos mais bem-intencionados e bem formados especialistas da área.

Ao longo dos últimos 20 anos, muito se fez em termos de oferecer melhores condições materiais para as escolas. Podemos dizer que o País passou, nos últimos anos, por uma verdadeira revolução educacional.

O que nos intriga, entretanto, é que, apesar de todo esse investimento financeiro, pessoal e tecnológico, temos atualmente os piores indicadores sobre o desempenho escolar dos nossos alunos. Em todos os indicadores educacionais internacionais aparecemos nos últimos lugares. Comparado com os países da América do Sul, nossos resultados são bizarros.

Estamos vendo uma geração inteira devidamente escolarizada (cumprindo as etapas escolares) que, no entanto, é considerada de analfabetos funcionais. Temos jovens no ensino médio que leem e não compreendem o que leem, e escrevem com erros tão grosseiros que os seus textos se tornam incompreensíveis.

O fracasso escolar é uma realidade perversa que atinge todas as classes sociais e põe em questão a própria função da escola.

O que fazem nossos jovens na escola já que, apesar de cumprirem os anos letivos, saem dela sem obter aquilo que foram lá buscar? O conhecimento que serviria para inscrevê-los no processo de inserção social, do qual a escola é o principal fiador.

Afinal, a escola tem o papel de possibilitar que o aluno transcenda sua condição social e pessoal. E possa apreender o que é condição de possibilidade para construção de adultos que se reconheçam como capazes.

Passar de ano, sem ter o domínio dos conteúdos mínimos exigidos, faz com que esse aluno coloque em questão sua aprendizagem. Apesar de ser aprovado na escola, ele sabe que não sabe.

Dizemos às novas gerações: “estudem, pois só assim conseguirão ter uma vida melhor!”. Falhamos.

Neste livro, problematizamos o fracasso escolar em seus diferentes aspectos, procurando situá-lo entre as questões institucionais, relacionais e até mesmo orgânicas, enfatizando como esse fracasso marca subjetivamente os sujeitos.

Seria essa impossibilidade da escola de fornecer condições satisfatórias de aprendizagem uma marca do nosso tempo?

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