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A Nova Paidéia

Ciência e Educação na Construção da Modernidade

Marco Braga

Fruto da tese de doutorado de Marco Braga desenvolvida e defendida no Programa de Engenharia de Produção da Coppe/UFRJ, na linha de pesquisa em Difusão Cientifico-Tecnológica, este livro contribui para o entendimento do que veio a ser o referencial principal do ensino técnico-científico em nosso país: o projeto educacional e formativo do Iluminismo francês, arquitetado e difundido por pensadores, cientistas, engenheiros, educadores e organizadores da cultura e da política na França revolucionária e pós-revolucionária do final do século XVIII e início do XIX. Construído para ser o referencial de formação dos dirigentes da “nova França”, esse projeto deveria abranger todas as esferas da vida, com ênfase particular para o desenvolvimento das faculdades racionais, organizativas e construtivas, fundamentos da atividade e da personalidade do novo dirigente de uma nova sociedade – uma sociedade a ser projetada, entendida e regida como se fosse máquina.

O impacto do projeto pedagógico iluminista “à francesa” não conheceu, entretanto, fronteiras naquele país: instaurou-se nas sociedades industrializadas, projetou-se para além-mar e veio a encontrar no Brasil entusiástica acolhida, marcando profundamente nosso ensino, formando aqui suas “colônias” e expandindo-se, nas ciências exatas e na engenharia, e também na filosofia, nas letras e nas ciências humanas.

Marco Braga mergulhou profundamente no estudo desse projeto, que por sua abrangência e suas intenções denominou de “nova paidéia”, em referência ao contexto de formação do dirigente-filósofo na Grécia clássica, com a ressalva apropriada de que o fundamento da proposta grega era a filosofia, enquanto para os iluministas franceses este fundamento deveria ser a ciência. Ou melhor, uma certa ciência, como bem lembrado pelo autor, aquela ciência resultante da adaptação do newtonianismo por iluministas franceses como Voltaire, Lagrange, Laplace, Legendre, Lazare Carnot, Diderot, D’Alambert, Condorcet e Monge. A obra de Marco Braga pode contribuir para uma reflexão mais esclarecida e aprofundada a respeito dos impasses da educação técnico-científica atual, quando estabelece interessantes confrontos entre diferentes propostas pedagógicas na França iluminista e suas relações com o atual ensino de ciências, quando vai às raízes da influência positivista sobre o paradigma dominante de educação em nossos dias e especialmente quando explicita o processo histórico de derrocada do caráter filosófico da formação cultural ampla até então presente na educação científica, até o tempo dos “engenheiros da Renascença”.

Professor Roberto Cintra Martins

 

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