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Revista Inteligência Empresarial - n.15

Abril de 2003

Centro de Referência em Inteligência Empresarial da Coppe/UFRJ

Em artigo publicado, ainda em 1995, um dos pioneiros da Gestão do Conhecimento, o inglês David J. Skyrme, já alertava para a importância das pessoas e das informações como recursos fundamentais para a criação de valor nas organizações. E apontava as redes de conhecimento como uma maneira efetiva de combinar o conhecimento e as habilidades dos indivíduos de forma a atingir, ao mesmo tempo, seus próprios objetivos e os das organizações. O tema viria a ser mais extensivamente trabalhado em seu livro Knowledge Networking: Creating the Collaborative Enterprise, publicado quatro anos depois pela editora Butterworth-Heinemann. Mas já nesse artigo, Tecendo Redes de Conhecimento, que traduzimos e trazemos a vocês nesta edição de Inteligência Empresarial, Skyrme fala desse fenômeno dinâmico e rico no qual o conhecimento é compartilhado, desenvolvido e expandido.

Segundo o consultor britânico, tecer redes de conhecimento é mais do que simplesmente acessar informações. É um processo complexo, cujo início pode-se precisar, mas cujos resultados são praticamente impossíveis de serem avaliados uma vez que cada pequeno passo dado nessa rede influencia o pensamento e as decisões sobre o novo passo a ser dado. Cria-se um moto contínuo em que o conhecimento gerado a partir da rede está sempre se expandindo.

Esse processo complexo e dinâmico foi acelerado com o advento e o incremento das tecnologias de informação e comunicação. Graças a elas, os computadores, que há 30 anos não passavam de ferramentas de processamento de dados, hoje são elementos fundamentais não apenas na comunicação humana como no próprio processo de construção do pensamento e do conhecimento. Em que pese o extraordinário aumento no uso de computadores, adverte David Skyrme, muitas das organizações armazenam neles somente uma pequena fração – entre 10 e 30% – do conhecimento necessário para o seu funcionamento sob a forma de processos ou procedimentos mecanizados. Os restantes 70 a 90% ficam na cabeça das pessoas. É conhecimento tácito. “Este último é o conhecimento mais importante neste ambiente de negócios extremamente dinâmico e é a chave para as organizações serem capazes de responder com a flexibilidade e a presteza exigidas”, afirma o especialista. Tratar desse tipo de conhecimento é um dos papéis mais importantes das redes de conhecimento. Como fazê-lo é o que nos ensina Skyrme em seu artigo.

Também os professores Carlos Alberto Messeder Pereira e Micael Herschmann, da Escola de Comunicação da UFRJ, preocupam-se com o aproveitamento do conhecimento gerado em redes e propõem uma reflexão em torno das questões relativas à cultura e à comunicação no sentido de melhor viabilizar processos de desenvolvimento local sustentado. Tomando como exemplo concreto a região de Santo Antônio de Pádua, no noroeste fluminense, onde se está consolidando um arranjo produtivo de pedras ornamentais, os autores chamam atenção para o fato de que uma atuação mais eficiente de todas as instituições voltadas para ações de interesse público, especificamente no que se refere ao apoio a arranjos produtivos locais, passa necessariamente pelo bom encaminhamento de problemas e questões que dizem respeito às esferas da comunicação e da cultura.

A importância da comunicação também é destaque no artigo de Reinaldo Canto, intitulado A Era do Conhecimento a Serviço das ONGs. Diretor de comunicação do Greenpeace Brasil, ele demonstra que a comunicação eficiente com a sociedade garante o respeito e a credibilidade necessária para o Terceiro Setor. Já a questão do desenvolvimento sustentável e da responsabilidade social das empresas é tema do artigo de Márcia Neves, autora de três livros sobre diferentes aspectos do marketing social. Em Sustentabilidade e RSC, vale a pena investir?, Márcia nos diz como a atuação responsável das empresas tem sido cada vez mais valorizada pelos consumidores. E como isso tem se revertido no aumento do próprio valor das empresas no mercado.

O valor das empresas é também o tema do livro O Capital de Risco no Brasil, recém-lançado pela E-Papers. A economista Claudia Pavani, autora do livro, nos enviou um artigo onde traça um panorama do atual estágio da atividade no País. Segundo ela, a indústria de Capital de Risco ainda não desenvolveu todo o seu potencial quantitativo e de eficiência, e não há, até hoje, uma cultura do capital de risco estabelecida entre as pequenas e médias empresas. “Mas ela já é uma realidade no Brasil e está em crescimento, e os investidores estão em franco processo de aprendizagem”, garante.

As vantagens para o País e os ganhos para a cidadania que a adoção da gestão do conhecimento no setor público pode trazer são abordados em outros dois artigos. A designer Claudia Duarte, analisando três reportagens publicadas no jornal O Globo, mostra como a gestão das informações e do conhecimento gerados pelos processos administrativos passa a ser um problema de prioridade máxima do governo quando se pensa numa inserção mais competitiva do País no mercado internacional. E o economista André Urani, na resenha do livro Brasil Eficiente, Brasil Cidadão, a tecnologia a serviço da justiça social, afirma que, ao contrário do que muita gente pensa, eficiência e bem-estar podem e devem caminhar juntos. Citando o prêmio Nobel de Economia Amartya Sen, Urani diz que desenvolvimento, na concepção moderna, tem muito mais a ver com as várias dimensões da qualidade de vida do que com o mero crescimento econômico. E que o livro, escrito pela jornalista Rosa Lima, com introdução do professor Marcos Cavalcanti, comprova, através de exemplos concretos, que o Brasil tem avançado muito nesse sentido, e que a tecnologia tem sido um poderoso aliado neste processo.

Por fim, brindamos os nossos leitores com uma novidade muito especial. Trata-se da seção Pérolas do conhecimento. Nesta primeira edição, reunimos algumas das pepitas que garimpamos sobre o tema Redes de Conhecimento. As citações são de alguns dos maiores especialistas em gestão do conhecimento da atualidade e boa parte delas veio do web site entovation.com. Esperamos que vocês gostem e que nos enviem outras sugestões. Colaborações são sempre bem-vindas! Uma ótima leitura!

 

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