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Revista Inteligência Empresarial - n.16

Jul/Ago/Set 2003

Centro de Referência em Inteligência Empresarial da Coppe/UFRJ

Na última edição de Inteligência Empresarial, o artigo-âncora, assinado pelo consultor inglês David Skyrme, tratava do tema das redes de conhecimento como ferramenta para criação de valor nas organizações. Dando continuidade à questão de como se cria valor na economia do conhecimento, recuperamos um artigo escrito em 2000 pela especialista americana Verna Allee. Nele, a autora apresenta a noção de redes de valor em contraposição ao consagrado conceito de cadeia de valor, criado por Peter Drucker. Não se trata de mera divergência semântica. A idéia de cadeia é adequada a uma visão linear do processo produtivo, típica da economia industrial. A proposta de Verna nos pareceu extremamente instigante e muito mais apropriada às características da nova economia. "Um grande desafio estratégico hoje é descobrir como reconfigurar um negócio, passando do modelo de organização baseada na cadeia de valor para a estrutura mais fluida da rede de valor", afirma a consultora.

Para comentar o artigo-âncora desta edição, convidamos a professora e pesquisadora Anne-Marie Maculan, da Coppe/UFRJ, que vem se dedicando ao ensino e pesquisa desse tema. Segundo ela, "o artigo de Verna Allee apresenta com clareza uma reflexão bastante complexa em torno do conceito de valor e busca chegar à compreensão mais profunda das mudanças trazidas pela economia da informação".Apesar disso, acredita Anne-Marie, algumas perguntas permanecem, tais como: "Como calcular os custos de produção do valor conhecimento ou das vantagens intangíveis como confiança e senso de comunidade? Como se avalia o retorno esperado?". No seu modo de ver, há que se desenvolver urgentemente uma metodologia de mensuração dessas novas formas de valor, já que seria inconcebível imaginar que decisões estratégicas para investimentos arriscados sejam tomadas sem base em cálculo rigoroso.

Trazendo a discussão para um patamar mais concreto, os dois artigos seguintes debatem a criação de valor nas redes de micro, pequenas e médias empresas, os Arranjos Produtivos Locais (APL's). No primeiro deles - Prospecção tecnológica e gestão da inovação versus pequenas e médias empresas -, as autoras Adelaide Antunes e Claudia Canongia, respectivamente, professora e doutoranda da Escola de Química da UFRJ, apresentam três estudos de caso que apontam o estágio das pequenas e médias empresas em relação à prospecção tecnológica e gestão da inovação, permitindo visualizar propostas de ações para a melhoria do patamar de competitividade dessas firmas. Já a professora Lia Hasenclever, do Instituto de Economia da UFRJ, analisa a situação do pólo de moda íntima de Nova Friburgo, no Estado do Rio de Janeiro. Ela apresenta um histórico da formação desse Arranjo Produtivo e aponta o principal desafio para o desenvolvimento local: como trazer a inovação para uma indústria que tem como principais características ser antiga, fortemente dependente dos fornecedores e de máquinas e equipamentos? "Como introduzir inovações nessas empresas com dificuldades de gerência, de acesso a crédito para financiamento de máquinas inexistentes no Brasil porque são importadas, de negociação com os fornecedores que são um monopólio? Como introduzir as tão necessárias inovações para tornar a configuração produtiva especializada em moda íntima sustentável e competitiva?", questiona a especialista em economia da inovação.

Outro especialista no tema da inovação, o professor, pesquisador e consultor Cláudio D'Ippolito de Oliveira nos brinda com uma entrevista em que apresenta as principais conclusões de sua tese de doutorado na UFRJ, intitulada O papel da inovação no processo da estratégia - uma pesquisa qualitativa em empresas emergentes de base tecnológica, no Brasil. A partir do estudo de nove empresas da área de tecnologia da informação e de sua experiência profissional, ele constatou o quanto uma postura inovativa influi nas decisões e ações estratégicas de empreendedores de base tecnológica.

Dois livros lançados recentemente - um sobre gestão do conhecimento e outro sobre gerenciamento de projetos - são comentados nesta edição pelo prof. da Coppe e coordenador-geral do Centro de Referência em Inteligência Empresarial, Marcos Cavalcanti. E na seção Pérolas do Conhecimento, traduzimos algumas das pepitas garimpadas por David Skyrme na última edição do KM Europe, realizado em Amsterdã no mês de novembro.

Esperamos ter reunido aqui um bom material para leitura. E gostaríamos que os leitores compartilhassem conosco as reflexões que ela propiciou. Por isso, estamos criando, a partir desta edição, uma lista de discussão que pode ser acessada pelo e-mail inteligenciaempresarial@crie.ufrj.br. A idéia é iniciarmos a conversa com contribuições ao conceito de redes de valor criado por Verna Allee. De que forma vocês, leitores, interpretam esse conceito e como acreditam que ele possa ser implementado no dia-a-dia das organizações? Está lançada a discussão. A lista será mediada pelo editor da revista, Marcos Cavalcanti. Aguardamos sua contribuição. Participe!

 

Os Editores

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