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Revista Inteligência Empresarial - n.17

Out/Nov/Dez 2003

Centro de Referência em Inteligência Empresarial da Coppe/UFRJ

O tema central desta edição de Inteligência Empresarial é o comércio eletrônico, um dos poucos setores no Brasil que, nas palavras do diretor executivo da Câmara Brasileira de Comércio Eletrônico, Cid Torquato, apresentou um verdadeiro espetáculo de crescimento no ano passado – cresceu 25% de 2002 para 2003. Justamente por ser tão promissor e apontado como estratégico para o desenvolvimento sustentado do país, ele merece um olhar cuidadoso.

Na entrevista que concedeu à revista, Torquato chama atenção para a necessidade de o Brasil elaborar com urgência uma política nacional de tecnologia de informação e comércio eletrônico para não perdermos o bonde da história neste mundo globalizado. “Precisamos de uma política que integre as várias iniciativas dispersas pelo país”, defende.

O artigo-âncora deste número 17 pode ser um instrumento importante para embasar a formulação dessa política. Ele é o resultado de um amplo estudo sobre comércio eletrônico efetuado em três países em desenvolvimento por um grupo de pesquisadores da London School of Economics e do Institute for Developing Studies, de Sussex, ambos na Inglaterra. Parte de um programa de pesquisa sobre Globalização e Pobreza, financiado pelo Departamento para o Desenvolvimento Internacional do Reino Unido, a pesquisa, bem como outros trabalhos relacionados ao tema, estão disponíveis no site http://www.gapresearch.org/production/ecommerce.html.

A realidade do comércio eletrônico nos países em desenvolvimento, relatório final da pesquisa, foi publicado em boletim no ano passado e nos foi entregue em mãos por uma de suas autoras, a professora Robin Mansell, por ocasião de visita feita por estes editores à London School of Economics em novembro passado, com autorização expressa para tradução e publicação em Inteligência Empresarial.

A pergunta central do estudo é: “Será que a implementação do comércio B2B baseado na internet gera realmente novas oportunidades de negócios para empresas dos países em desenvolvimento?”. As respostas encontradas vão na contramão do que nos habituamos a ouvir.

Segundo os autores do estudo, as condições de mercado para empresas produtoras nos países em desenvolvimento são influenciadas mais pelas estruturas de mercado existentes e pelas práticas comerciais do que pela introdução de novas tecnologias de informação e comunicação (TICs).

De um modo geral, o estudo revela que o principal efeito do comércio eletrônico B2B é a melhoria dos relacionamentos entre parceiros comerciais já existentes e que esse tipo de comércio é de pouca valia para forjar novos relacionamentos.

Há ainda uma mensagem clara para os formuladores de políticas e os profissionais da área: se a intenção de usar alguns tipos de comércio eletrônico B2B é ajudar as empresas a ganharem acesso mais eqüitativo a mercados internacionais, é essencial entender como o comércio internacional se organiza e como se desenvolvem os relacionamentos entre empresas. E aí a principal sugestão apresentada é taxativa: primeiro vem o comércio, depois a tecnologia.

Mestre em Engenharia de Produção pela Coppe/UFRJ, com tese dedicada ao tema do comércio eletrônico, Fabiano Gallindo comenta o estudo elaborado na Inglaterra e corrobora com suas conclusões. “As infovias de negócios estimuladas e fomentadas pelas agências internacionais e governos locais, apesar de necessárias, não garantem por si só novas chances de negócios e sucesso para empresas que esperam entrar no comércio eletrônico B2B. Questões tão antigas como confiabilidade, cadeia logística e atendimento às normas internacionais de qualidade e segurança são inerentes e necessárias de serem implementadas em consonância à vontade de atingir melhores mercados”, afirma.

Num casamento nada trivial, o cineasta e produtor cultural Luiz Carlos Prestes Filho e o físico José Nicodemos Teixeira Rabelo uniram áreas do conhecimento aparentemente díspares visando identificar os pontos de estrangulamento e as oportunidades da Cadeia Produtiva da Economia da Música no Estado do Rio de Janeiro, de maneira a promover ações inovadoras para o setor. As conclusões do estudo podem ser lidas no instigante artigo Os Sistemas Complexos e a Fractalidade no Estudo da Cadeia Produtiva da Economia da Música que também compõe esta edição.

Vale destacar ainda o artigo do editor Marcos Cavalcanti comentando pesquisas realizadas entre os leitores da revista KM Review e entre os alunos da pós-graduação MBKM, da Coppe/UFRJ, sobre os projetos prioritários em gestão do conhecimento. É no mínimo curioso constatar que, apesar das realidades tão distantes entre a Europa, o Brasil e os Estados Unidos, são muito parecidos os temas que preocupam os profissionais da área tanto nas organizações européias e americanas quanto nas brasileiras.

E as Pérolas do Conhecimento desta edição são especiais: elas compõem o relatório feito pelo consultor inglês David Skyrme sobre o evento KM Europa 2003, realizado em Amsterdã, em novembro passado. Segundo ele, algumas apresentações exaltaram a necessidade de a gestão do conhecimento tornar-se mais relevante para as empresas, e de darmos igual importância às necessidades humanas e sociais e à tecnologia. Mas, para Skyrme, “o que foi realmente novo foi a sensação de que todas as diferentes linhas e visões da gestão do conhecimento estão se aproximando de uma forma que podemos prognosticar como uma nova vitalidade nos próximos anos”. Alvissareiro, não?

Antropólogo, professor e pesquisador da Escola de Comunicação da UFRJ, Carlos Alberto Messeder Pereira atualmente desenvolve projeto junto ao CNPq sobre Comunicação, Cultura e Desenvolvimento Local. É dele a resenha sobre dois importantes livros recentemente publicados, que traduzem sólido trabalho de pesquisa voltada para a problemática do desenvolvimento local sustentável:
Interagir para Competir – promoção de arranjos produtivos e inovativos no Brasil, e Pequena Empresa – cooperação e desenvolvimento local. Não deixe de conferir.
Por fim, lembramos aos nossos leitores que a lista de discussão está à disposição de todos interessados em enriquecer o debate sobre temas relacionados à gestão do conhecimento. Desta vez, o comércio eletrônico e seus desafios para os países em desenvolvimento é o tema da pauta. Aguardamos sua participação, mediada pelo editor Marcos Cavalcanti. Inscreva-se pelo e-mail inteligenciaempresarial@crie.ufrj.br.

Até a próxima!

Os Editores

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