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Revista Inteligência Empresarial - n.19

Abr/Mai/Jun 2004

Centro de Referência em Inteligência Empresarial da Coppe/UFRJ

Os números impressionam: 4.000 empresas, 1,1 milhão de empregos mundo afora e vendas anuais de US$ 232 bilhões. São algumas das cifras reveladas pelo estudo do BankBoston sobre o impacto das companhias fundadas por alunos e ex-alunos do Massachusetts Institute of Technology, o MIT, na economia dos Estados Unidos. Pelo que nós e o próprio MIT saibamos, este é o primeiro estudo de amplitude nacional a demonstrar o papel-chave que o ensino e a pesquisa de nível superior cumprem na vitalidade econômica do país.

O estudo original, intitulado “MIT: o impacto da inovação” pode ser lido na íntegra no site do escritório de notícias da universidade na Internet (http://web.mit.edu/newsoffice/founders/). A versão resumida, que trazemos a vocês como artigo-âncora desta edição, foi traduzida e publicada com a expressa autorização do diretor do escritório, Arthur Jones.

Muitas das revelações do estudo fazem pensar: a grande maioria dos negócios abertos por egressos do MIT é formada por empresas em áreas de ponta, de ruptura tecnológica. Elas tendem a exportar um grande percentual de seus produtos, deter mais de uma patente e investir uma boa parte de sua receita em pesquisa e desenvolvimento. São também empresas muito dependentes de profissionais altamente qualificados. Elas consideram que a qualidade dos produtos, o bom atendimento aos clientes e a inovação são os ingredientes mais importantes do seu sucesso e dedicam uma parte substancial de seu tempo e atenção estudando como construir uma cultura organizacional que estimule a inovação, cooperação e atenção individualizada. Perguntados sobre o papel que a universidade teve na sua decisão de abrir um negócio, quase a totalidade dos ex-alunos empresários respondeu que o MIT os encorajou a seguir esse caminho.

Alguma semelhança com as universidades brasileiras? Infelizmente, não. É o que mostra o editor Marcos Cavalcanti em seu comentário sobre o estudo. Citando três exemplos de pesquisadores brasileiros que criaram invenções de ponta, mas não as reverteram em negócio, ele fala da absoluta incapacidade do sistema brasileiro de ciência e tecnologia de transformar conhecimento em valor para a sociedade. “Se estes pesquisadores estivessem no MIT, produtos, serviços, trabalho e riqueza teriam sido gerados!”, afirma.

Cavalcanti mostra como o sistema de ciência e tecnologia brasileiro está voltado para premiar o pesquisador que publica, ignorando a pesquisa voltada para o desenvolvimento econômico e social. E é enfático ao dizer que esse quadro precisa mudar com urgência. Ao final, ele apresenta uma série de sugestões que permitiriam botar o Brasil nos trilhos da inovação e da sociedade do conhecimento. Vale conferir!

Ainda dentro do tema da inovação, o pesquisador Rodrigo Carvalho nos traz o primeiro de dois artigos em que discute as possibilidades de inserção da indústria brasileira de biotecnologia no cenário internacional. A análise desse cenário e suas tendências, tema do artigo desta edição, aponta para o aumento do estabelecimento de alianças estratégicas e parcerias entre as tradicionais empresas farmacêuticas e as empresas de base biotecnológica. No segundo artigo, a ser publicado no próximo número de Inteligência Empresarial, o pesquisador discute as alternativas para a participação brasileira neste mercado verdadeiramente estratégico para a nova economia.

Ex-secretária nacional de Tecnologia Industrial e de Política de Informática, a consultora Vanda Scartezini nos apresenta um artigo em que defende a aplicação da gestão do conhecimento para o aumento da competitividade e da inclusão digital nos arranjos produtivos locais. Mais especificamente, ela fala da criação de um ambiente virtual de governança da informação e de serviços para a cadeia de valor dos setores produtivos, citando o exemplo do pólo calçadista de Birigui, no interior paulista. O modelo proposto desenvolve estruturas de negócio auto-sustentáveis de modo a tornar o apoio necessário para os arranjos não apenas acessível, mas também em bases contínuas.
“Da mesma forma que o ambiente integra as pequenas empresas, busca integrar também a comunidade, abrindo parceria na implantação de Telecentros (ambientes comunitários de acesso a Internet, com a devida privacidade) que não apenas facilitam a inclusão das pequenas empresas, muitas sem facilidades computacionais em seus ambientes de trabalho, como também da própria comunidade, atraindo a prefeitura e outros agentes regionais interessados naquela sociedade”, destaca a consultora.
Um grande desafio para que os ambientes virtuais se democratizem e possam efetivamente atender o conjunto dos cidadãos brasileiros é fazer com que os sistemas que oferecem serviços públicos possam conversar entre si. Os dilemas do governo eletrônico brasileiro são o tema da entrevista concedida à nossa editora-executiva, Rosa Lima, pelo secretário de Logística e Tecnologia da Informação do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, Rogério Santanna. “O governo eletrônico funciona muito bem para dar conta das obrigações dos cidadãos com o Estado. No que tange a seus direitos, no entanto, ainda temos um longo caminho a percorrer”, diz.

Os arranjos produtivos voltam à pauta no livro O desenvolvimento econômico local no Estado do Rio de Janeiro, resenhado pelo pesquisador Fabiano Gallindo nesta edição. Com organização de Lia Hasenclever e Yves-A. Fauré, do Programa de Pesquisa Cooperativo entre o Institut de Recherche pour le Développment – IRD, da França, e o Instituto de Economia, da Universidade Federal do Rio de Janeiro – IE/UFRJ, o livro apresenta uma interessante contribuição ao cunhar o termo configurações produtivas locais (CPL), ao invés de arranjos produtivos para designar esses pólos.

Para concluir, a seção Pérolas do Conhecimento traz dicas importantes para as organizações interessadas em implantar sistemas de CRM e perdidas no emaranhado de soluções oferecidas pelo mercado. O especialista na gestão de relacionamento com clientes Yacov Wrocherinsky, presidente da Infinity Info Systems, diz que um bom consultor é a chave do sucesso nessa escolha. Mas como escolher esse consultor? Sabendo exatamente o que você quer e fazendo a ele as perguntas certas. As pérolas desta edição são exatamente essas perguntas-chave! Bom proveito!

Até a próxima!

Os Editores

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