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Revista Inteligência Empresarial - n.21

out/nov/dez 2004

Centro de Referência em Inteligência Empresarial da Coppe/UFRJ


Os intricados caminhos da inovação e os desafios e oportunidades que ela coloca para o desenvolvimento do país são o tema central desta edição de Inteligência Empresarial. Em todos os artigos fica clara a importância da articulação de uma rede e de um ambiente social adequado, que estimule a inovação e os empreendedores.

O artigo do professor do Núcleo de Computação Eletrônica da UFRJ Ivan da Costa Marques, um dos mais atuantes e respeitados pensadores brasileiros na área de ciência e tecnologia, nos traz uma importante reflexão sobre as conseqüências da inovação tecnológica num mundo em que as fronteiras entre a ciência e a vida política, econômica e social ficam cada vez menos nítidas. Um dos efeitos desse fenômeno é a percepção de que os objetos tecnocientíficos, sejam eles máquinas, remédios ou serviços, são desenvolvidos não só nos laboratórios mas também nos tribunais. O que impõe, segundo Ivan, a necessidade de novos espaços de gestão da inovação tecnológica ainda pouco arquitetados no Brasil. São os labordireitórios, “espaços de pesquisa e desenvolvimento em que advogados e engenheiros, leis da Sociedade e leis da Natureza, trabalham juntos e inseparavelmente desde um primeiro instante de concepção-adoção de um artefato tecnocientífico”. É através deles, afirma o autor, que se abrem novas possibilidades de inovação para países como o Brasil, num cenário marcado por desigualdades globais.

A importância do estabelecimento de novos espaços e parcerias também fica evidenciada na do edital Rio Inovação, lançado pela Fundação Carlos Chagas de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj), que nos é trazida por André Pereira Neto, Fabiano Gallindo e Santiago Reis da Cruz. O artigo destes assessores da diretoria de tecnologia da fundação, responsável pela implantação da versão fluminense do “Programa de Apoio à Pesquisa em Empresas” (Pappe) da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) descreve o processo em que foram aprovados 22 dos 109 projetos encaminhados, visando apoiar soluções tecnológicas com grande potencial de inserção no mercado e/ou relevância social em áreas estratégicas para o desenvolvimento estadual.

Os autores são partidários da tese de que “somente o desenvolvimento das ligações entre a academia, o setor produtivo e o governo irá favorecer transformações significativas na forma da transformação de conhecimento em soluções. Principalmente, se estas interações tiverem a finalidade de desenvolver economicamente e socialmente a região onde estas universidades, empresas e governos estão instalados”.

Já o Superintendente da Área de Investimento em Inovação da Finep, Eduardo Costa, afirma, em entrevista à nossa editora executiva, que a melhor maneira de se gerar riquezas, para o Brasil e os brasileiros, é investir na pequena empresa inovadora – aquela que faz diferença no mercado e traz bons frutos para a sociedade. A Finep pretende apoiar a criação e fortalecimento de mais de 10 mil pequenas empresas inovadoras através de diferentes programas de financiamento que estão sendo implantados na atual gestão: o Programa Juro Zero, os fundos de capital-semente e o Pappe, de apoio à pesquisa em empresas. Eduardo Costa detalha esses programas, fala dos ingredientes que fazem uma empresa ser bem-sucedida e do perfil do profissional do futuro: flexível, multidisciplinar e inovador.

A experiência da Fundação Roberto Marinho na implantação e desenvolvimento de uma série de projetos culturais na cidade histórica de Tiradentes, em Minas Gerais, é o tema do estudo de caso relatado pelo gerente de planejamento da instituição, Edmar Lopes. A chave para o sucesso da empreitada da maior organização brasileira do Terceiro Setor foi a construção do capital social da comunidade. “A credibilidade obtida veio da obtenção de compromissos comuns, amplamente compartilhados, e regras de reciprocidade claras que serviram de base para a ação coletiva”, revela o autor, mostrando a importância cada vez maior da atuação em rede para o desenvolvimento local sustentável.

Técnico do Senai-Cetiqt, Flávio da Silveira Bruno também destaca a importância da atuação em rede em seu artigo Integração comunicativa na cadeia produtiva têxtil: uma revisão da XIV feira internacional de máquinas ITMA. Segundo ele, os padrões descritos permitem induzir que os desenvolvimentos contemporâneos de sistemas produtivos têxteis estão sendo orientados pela necessidade de integração em uma rede complexa de atores de natureza heterogênea. “Essa orientação estaria predefinindo, de certa forma, a seleção de conteúdos científicos e tecnológicos que possam contribuir para os fins comunicativos dos sistemas”, afirma Flávio Bruno.

Citado no artigo de Bruno, o livro O conhecimento em ação: novas competências para o trabalho no contexto da reestruturação produtiva mereceu resenha crítica de um de seus autores, o professor Thalmo de Paiva Coelho Jr., coordenador de pós-graduação do Cefet-ES. O livro foi organizado pelo professor Rogério Valle, do Sage – laboratório de Sistemas Avançados de Gestão da Produção, da Coppe/UFRJ e publicado pela editora Relume Dumará.

E mais: o consultor inglês David Skyrme realizou, durante seis meses, uma pesquisa junto a profissionais e pesquisadores da área de gestão do conhecimento sobre os desafios para se manter o sucesso e obter impacto positivo nas áreas sociais e de negócios com a implantação da GC. O resultado completo da análise será divulgado em um relatório na Knowledge Insight Series, publicada em parceria com David Skyrme Associates e Ark Group, editores da revista Knowledge Management. Fechando esta edição, os leitores da revista Inteligência Empresarial terão a oportunidade de conhecer os dez pontos principais desse relatório na seção Pérolas do Conhecimento.

Boa leitura!

Os Editores

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