capa do livro

Revista Inteligência Empresarial - n.26

jan/fev/mar 2006

Centro de Referência em Inteligência Empresarial da Coppe/UFRJ


Onde está a riqueza das nações? Será que os indicadores tradicionalmente utilizados para calcular o conjunto de bens e serviços produzidos em um país, como o PIB, conseguem revelar um retrato fiel da riqueza ou da pobreza das nações no mundo atual? Essa é uma das questões presentes no artigo-âncora desta edição de Inteligência Empresarial. Nele, Alexander Herzog Cardozo, economista e mestrando em Engenharia de Produção na Coppe/UFRJ, discute o papel e a importância dos ativos intangíveis para as economias de mercado. O artigo foi principalmente motivado pela publicação, em dezembro de 2005, do estudo do Banco Mundial intitulado Onde está a riqueza das nações? Medindo o capital para o século XXI, em que o banco demonstra a importância dos capitais intangíveis para o desenvolvimento sustentável, com impactos positivos e potenciais no bem-estar dos países. As habilidades e destrezas da população, os conhecimentos práticos e teóricos, as qualidades das instituições formais e informais são, em síntese, os atributos mais valorosos dos países, segundo as conclusões do Banco Mundial. Defende-se a posição de que são esses capitais que sustentam a atividade econômica e que esses fatores servem de base argumentativa para formulação de políticas pelas autoridades governamentais.

Depois de apresentar o estudo do Banco Mundial, Alexander verifica na literatura algumas discussões precedentes sobre a importância de capitais intangíveis nas economias, para na parte final de seu artigo apresentar uma contextualização do Brasil nessa discussão, e os desafios que se colocam para o País no atual cenário, especialmente diante da Economia do Conhecimento.

Artigo publicado anteriormente por dois pesquisadores do próprio Banco, Ledermann e Maloney, reforça a importância dessas discussões no atual estágio da economia internacional. Nele, os autores demonstram que o investimento em educação, ciência, tecnologia e inovação (intangíveis) pelos países traz o dobro do retorno do investimento em infra-estrutura (estradas, portos etc.).

Em fevereiro último, a matéria de capa da revista americana Business Week, intitulada Why the Economy is a lot stronger than you think (Por que a economia é muito mais forte do que você pensa), questionava os indicadores em uso, mostrando que, apesar de vivermos numa economia baseada em idéias e inovação, esses ativos, imateriais, não são levados em conta pela economia oficial. A matéria se baseava em estudos dos economistas Charles R. Hulten, da Universidade de Maryland, e Carol A. Corrado e Daniel E. Sichel, do Federal Reserve Board, que identificaram investimentos crescentes das empresas em pesquisa e desenvolvimento, exportação de melhores práticas, criação de marcas, desenvolvimento de talentos, entre outros ativos intangíveis, difíceis de se medir, mas fundamentais para a atual competitividade das organizações e dos países.

A publicação do artigo-âncora desta edição de Inteligência Empresarial coincide ainda com as mudanças na direção do nosso principal banco de fomento, o BNDES. Sua diretoria de Mercado de Capitais foi desmembrada da área financeira e à sua frente está agora o ex-aluno da Coppe/UFRJ Eduardo Rath Fingerl. Mestre em Engenharia de Produção, Rath Fingerl é autor da tese Considerando os intangíveis: Brasil e BNDES, que teve orientação do professor Marcos Cavalcanti, coordenador geral do Centro de Referência em Inteligência Empresarial (Crie) da UFRJ e editor de Inteligência Empresarial.

Sua posse na nova diretoria sinaliza um ganho de importância do tema dos intangíveis nas políticas de incentivo à inovação a serem adotadas como uma das frentes de atuação do banco. Trata-se de uma mudança mais que oportuna, afinal estamos às vésperas de uma campanha eleitoral onde deveríamos discutir rumos e prioridades para nosso País. Com a publicação do artigo de Alexander Herzog, Inteligência Empresarial acredita estar dando sua contribuição para fazer avançar essa discussão.

Boa leitura!

Os Editores

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