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Revista Inteligência Empresarial - n.27

Edição Especial: Hélice Tríplice

Centro de Referência em Inteligência Empresarial da Coppe/UFRJ

Apontada como uma necessidade premente para a inserção mais competitiva do Brasil no cenário mundial, a inovação parece ter finalmente entrado na pauta e na agenda do país. Provas disso são os diversos fóruns de debate que o tema vem ganhando, a aprovação e a regulamentação da Lei de Inovação e a recente decisão do BNDES de lançar uma linha de financiamento destinada às empresas brasileiras interessadas em inovar, dentre outras políticas e ações, tanto no âmbito público quanto privado.

Mas a inovação não é assunto apenas de governo e empresas. Ela envolve um outro agente fundamental para o bom resultado dessa equação: a universidade. Na medida em que o conhecimento passa a ser o mais importante fator de produção do nosso tempo e se torna cada vez mais um insumo fundamental para o desenvolvimento, é natural que a universidade, enquanto uma fonte de novos conhecimentos e tecnologias, seja vista e analisada como um ator social de destaque.

É a isso que se propõe o modelo da Hélice Tríplice a que esta edição especial de Inteligência Empresarial se dedica. A tese – materializada pelos escritos de H. Etzkowitz (State University of New York) e de L. Leydesdorff (University of Amsterdam) na década de 1990 – é de que a interação universidade-indústria-governo é a chave para melhorar as condições para inovação numa sociedade baseada no conhecimento.
No artigo que abre esta edição, Universidade e Desenvolvimento Econômico, o pesquisador José Manoel Carvalho de Mello, da Universidade Federal Fluminense, em co-autoria com o próprio Henry Etzkowitz, explica e contextualiza o conceito. “Na abordagem da Hélice Tríplice, a idéia subjacente reside na ação empreendedora da universidade, no exercício de sua nova missão em prol do desenvolvimento, a sua assim chamada “terceira missão”, em adição às missões de ensino e de pesquisa”, afirmam os autores.

Refletindo originalmente a realidade americana, onde a inovação tem sido associada com indústrias baseadas na ciência e com atividades de P&D, o modelo da Hélice Tríplice, assim como o da universidade empreendedora, está sendo “reinventado” para outros contextos socioeconômicos, para outros países desenvolvidos e em desenvolvimento.

Algumas dessas “reinvenções” foram tema de trabalhos apresentados na última Conferência Internacional da Hélice Tríplice, realizada na Itália, em 2005. Desses, trazemos aqui quatro estudos referenciados a diferentes contextos socioeconômicos.

O primeiro deles, de autoria de Zhao Yandong e Zhang Wangcheng (2005), diz respeito às transformações operadas no sistema regional de inovação da China, desde a época da economia planificada (1949-1978), passando pelo período da reforma (1978-1992) até os nossos dias, o período da construção de uma “economia de mercado socialista” (1992-...), tendo como moldura analítica a abordagem da Hélice Tríplice.

O segundo trabalho, de L. Abrahams (2005), tem como tema central o papel em evolução da universidade e a sua inserção na emergente economia do conhecimento na África do Sul. A autora apresenta três casos representativos das novas formas com que universidades vêm se engajando na produção de conhecimento para a competitividade industrial e para o desenvolvimento econômico local.

O terceiro paper, de autoria de Lee Woolgar (2005), nos remete para as transformações ora em curso nas universidades nacionais japonesas.

O quarto e último trabalho, de M. Saad, G. Zawdie e C. Malairaja (2005), versa sobre o papel da universidade na promoção da inovação em países em desenvolvimento, analisando as experiências em curso na Malásia, Argélia e Etiópia.

Apesar de distintas, essas “reinvenções”, permanecem tendo um mesmo objetivo comum, o da participação das universidades em levar a cabo atividades empreendedoras com vistas a melhorar o desempenho econômico e social, regional ou nacional. Ao traduzir esses trabalhos e publicá-los nesta edição especial, Inteligência Empresarial espera estar contribuindo para o avanço do debate sobre os caminhos da inovação no Brasil.

Boa leitura!

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