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Indígenas no ensino superior

As experiências do programa Rede de Saberes em Mato Grosso do Sul

Fernando Luiz B. Vianna, Eva Maria L. Ferreira, Beatriz dos Santos Landa e Antonio H. Aguilera

Os cursos específicos e os programas de ação afirmativa dirigidos aos povos indígenas no Brasil cumprem hoje mais de uma década de existência. Trata-se de um bom período para avaliarmos seus sucessos e problemas, retirando deles lições aprendidas e novos desafios.

É nesse quadro que esse livro é especialmente valioso. O Programa Rede de Saberes, iniciou em 2005 sob a coordenação geral de Antonio Brand, com recursos alocados a partir do projeto Trilhas de conhecimentos: o Ensino Superior de indígenas, a partir de dotação da Fundação Ford a partir de sua Pathways to High er Education Initiative, ao Laboratório de Pesquisas em Etnicidade, Cultura e Desenvolvimento (Laced)/ Museu Nacional UFRJ, sob minha coordenação. Rede de Saberes tornou-se rapidamente um caso de evidente sucesso. Pelas mudanças na sistemática de financiamento logo ganharia sua própria dotação diretamente da Fundação Ford, e seguiu ao longo desse período até o momento numa rota de permanente aperfeiçoamento e crescimento.

De uma reunião preliminar em que poucos alunos indígenas foram identifi cados, para encontros de universitários indígenas com crescente participação, a alunos que vêm se tornando importantes atores sociais no cenário local e nacional, o protagonismo dos universitários indígenas demonstra o maior sucesso do programa e chama atenção às agências de fomento e da administração pública para a presença indígena fora da Amazônia.

A sólida equipe que fundou o projeto e pôde superar a perda inestimável de Antonio Brand e dar curso às atividades do Programa, nos apresenta um relato minucioso de sua experiência na gestão cotidiana do projeto. Com a ajuda de Fernando Vianna, sistematizam aqui mais de oito anos de atividades ininterruptas. Creio que todas as instituições que lidam com indígenas no Ensino Superior têm muito a aprender com essa experiência e mais ainda com o esforço de sistematizá-la. Precisamos aprender e reelaborar nossas atividades dia a dia, nos depurando dos preconceitos, dos ranços tutelares, das pretensões de guiar os passos dos indígenas que muitos “brancos” ainda têm.

É aqui, sobretudo, que a experiência do Rede de Saberes traz-nos ensinamentos vitais. A organização do II Encontro Nacional de Estudantes Indígenas, realizado de 04 a 07 de agosto de 2014, em Campo Grande, foi a melhor demonstração do que de melhor o programa foi capaz de gerar: o pleno apoio à autonomia indígena.

Antonio Carlos de Souza Lima

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