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Encontros e Caminhos dos Estudos do Consumo no Brasil

Lívia Barbosa, Fátima Portilho, Flavia Galindo e Silvia Borges (orgs.)

A consolidação de um tema como objeto de pesquisa e de trabalhos acadêmicos é o resultado de um longo e cumulativo processo de construção intelectual, fruto da interação de inúmeras pessoas em diálogo/disputa em torno de ideias e problematizações acerca da “realidade”, em instâncias e contextos diversos da vida acadêmica. Diferentes autores que se preocuparam com a sociologia da produção e da difusão do conhecimento científico identificaram algumas dessas lógicas, dinâmicas, espaços e rituais que operam nestes processos. Seminários, congressos e encontros científicos, entre outros, são alguns desses espaços de interação direta entre pesquisadores. Conforme sugere Canclini (2016), estas “ágoras” funcionam como ocasiões de intercâmbio intelectual e troca acadêmica, ao mesmo tempo em que oportunizam a transição entre o que é debatido teórica e metodologicamente em uma dimensão local específica com universos mais amplos da produção acadêmica de ideias.

Este livro é um registro histórico de uma destas “ágoras” no que concerne à constituição dos Novos Estudos do Consumo (NEC) no Brasil. Seu ponto de partida são os Encontros Nacionais de Estudos do Consumo (ENEC), evento promovido pelo Grupo de Estudo do Consumo (GEC). Realizado pela primeira vez em 2004, o ENEC se constituiu como o primeiro espaço acadêmico do Brasil, no âmbito das ciências sociais, que teve, e mantém até hoje, como tema central de debates e reflexões o consumo e as relações com a materialidade nas suas mais diferentes perspectivas, sejam estas culturais, políticas, econômicas, ambientais, artísticas e sociais.

Em 17 anos de existência – 2004 a 2021 – o Grupo de Estudo do Consumo, apoiado por uma Comissão Organizadora e um Comitê Científico, formados por pesquisadores brasileiros e estrangeiros, promoveram dez edições do “Encontro Nacional dos Estudos do Consumo”, abordando temáticas variadas, porém centrais para o entendimento mais amplo das relações de consumo no âmbito da sociedade contemporânea.

Nestas diferentes edições, interagiram pesquisadores de diferentes nacionalidades, alunos de pós e de graduação, membros de organizações e movimentos sociais, pessoas do mercado e de organizações estatais, formando redes de troca acadêmica, de experiências e de reflexão que permitiram pesquisas conjuntas entre membros de diferentes instituições, estimulando períodos de pós-doutoramento e de doutorado sanduíche fora do país, promovendo a publicação de livros, artigos e dossiês em revistas especializadas, e facilitando a vinda ao Brasil de pesquisadores proeminentes em diferentes áreas do conhecimento – história, antropologia, sociologia, ciência política, marketing – ligadas aos estudos do consumo, estendendo os horizontes dos debates locais até outros universos acadêmicos e intelectuais. O número de participantes ao longo de todos esses anos, mais de três mil no total, a variedade da procedência dos mesmos, o aumento da produção acadêmica sobre consumo, a participação em bancas de teses e dissertações, a criação de disciplinas sobre antropologia e/ou sociologia do consumo, a instituição de mesas redondas e Grupos de Trabalho (GT) sobre este tema em tradicionais eventos acadêmicos das áreas de ciências sociais, onde antes eles não existiam, por muitos dos membros desta rede, nos sugerem que o ENEC contribuiu para a constituição e consolidação deste campo no Brasil, sendo um de seus atores fundamentais.

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