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Luiz Henrique Eloy Amado

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“Vukápanavo: o despertar do povo Terena para os seus direitos – Movimento Indígena e Confronto Político” é uma versão da tese de doutorado apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social, Museu Nacional, Universidade Federal do Rio de Janeiro (PPGAS-MN-UFRJ). A versão ora publicada aborda um tema complexo, árduo e atual – “movimento indígena e confronto político”– transformando-o em matéria atraente e compreensível para o público ávido por melhor conhecer um dos povos indígenas mais populosos do Brasil, os Terena, suas lutas contra a invisibilidade e a afirmação de seus direitos territoriais.

O livro é resultado de uma profunda pesquisa histórica e antropológica que faz uma releitura da história dos Terena no Brasil; da invenção de novas formas de fazer política com os não indígenas; da rearticulação do Conselho Terena e sua organização política e ainda, dos processos que levaram às retomadas de seus territórios em um dos estados com mais conflitos de terras do Brasil, o Mato Grosso do Sul.

Os Terena, como destaca o autor, têm sido objetos de estudos como um caso-limite de identidade étnica – estudos muitas vezes contaminados pela ideia de “aculturação”, que colocam os Terena como “indígenas aculturados” ou “índios urbanos”. Outros, ao analisarem a história dos Terena, identificam sua origem no Chaco paraguaio. Ambos os argumentos, no atual contexto de disputas por terra no Mato Grosso do Sul, têm servido para desqualificar as demandas territoriais dos Terena. O livro descontrói o senso comum antropológico e político, reconstruindo os processos de mudança cultural que levaram à mobilização e à resistência política dos Terena, afirmando-se como povo que busca manter e recuperar seus territórios.

“Vukápanavo: o despertar do povo Terena para os seus direitos” torna-se leitura obrigatória porque descortina uma história e processos políticos organizacionais que talvez somente um observador interno pudesse descrever. E, nesse caso, o antropólogo que combinou expertise com confiança do povo estudado é um Terena.

Luiz Henrique Eloy Amado, ou Luiz Eloy Terena, é um jovem advogado, mestre e doutor em Antropologia e concluindo em 2021 o doutorado em Ciências Jurídicas e Sociais. Atualmente desenvolve estudos de pós-doutoramento na École des Hautes Études em Sciences Sociales (EHESS), em Paris (França).

O advogado e antropólogo Terena vem construindo uma sólida carreira acadêmica. Como parte de uma geração de jovens indígenas, teve o suporte de projetos e, por meio de políticas de ação afirmativa, acessou o ensino superior e de pós-graduação no Brasil. Iniciou sua carreira atuando como advogado no Conselho Indigenista Missionário (Cimi), em seu estado natal, Mato Grosso do Sul – reconhecido como um dos estados com mais violência contra povos indígenas em todo o Brasil. Ao tempo em que seguia sua qualificação acadêmica como antropólogo, Luiz Eloy passou a desenvolver uma intervenção nacional e internacional como o principal assessor jurídico da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib). Nos últimos anos, participou dos principais momentos de intervenção política da Apib, dos Acampamentos Terra Livre e de encontros com agências do sistema das Nações Unidas, em um contexto de resistência às constantes ameaças aos direitos indígenas.

“Vukápanavo: o despertar do povo Terena para os seus direitos” é um livro de certo modo parecido com a intervenção pública de seu autor, por tratar com rigor acadêmico assuntos de extrema relevância política, como também por questionar “verdades científicas” a partir do conhecimento tradicional. Luiz Eloy também contribui, corajosamente, para discutir o papel do indígena antropólogo.

Leia o livro, mas não deixe de acompanhar as intervenções do autor na defesa dos direitos indígenas. É só acompanhar o noticiário.

Aurélio Vianna Jr.

Professor visitante, PPGCSPA/UEMA



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