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Filosofia Clínica

Poéticas da singularidade

Hélio Strassburger

Preliminares

Um prelúdio entremeios de excesso antecipa incertezas na diferença em ser singular. Devir sempre outro, estabelece ângulos de múltiplas faces, na alternância difusa dos espantos. Provisórias narrativas exercitam-se no descobrir de obra aberta com os intercursos da vida. As estéticas do cuidado integram-se, na Filosofia Clínica, em um novo paradigma. Atração irresistível na mediação cotidiana das intencionalidades.

Uma introspecção realiza-se em deslocamento por entretantos atalhos, contradições e paradoxos. Propedêutica a desvendar-se por outras margens. Interrogação de natureza imediata estabelece inúmeros diálogos no âmbito das provisórias convicções. Lugar para a vida insinuar-se nas estéticas do extraordinário. A raridade dos instantes elabora um compartilhar único. Superação das antinomias a predispor vias de acesso, na reciprocidade com os universos do outro.

A escuta em reciprocidade de compartilhar, acolhe em si, aquilo que, para muitas pessoas, é o mais sagrado: sua história de vida. Signos de recém-chegada alternam-se na movimentação dos relatos. Inesperado lugar para decifrar os códigos de acesso as incríveis texturas, em momentos de irreconhecível aparecimento.

Pretextos de caótica ordem alternam-se na imprecisão discursiva. Um espanto de recém-chegada se faz cúmplice a subversão rascunhada nas crises. Um sujeito se reconstrói, no decifrar arcaico das incógnitas. Vislumbre aos lugares da diferença.

Admirável cumplicidade no vaivém das abstrações. Reflexo dos inexplicáveis personagens na atualização descontínua das buscas. Um ponto de vista no talvez imperceptível dos múltiplos disfarces. Espetacular roteiro na semiose não-discursiva das expressividades. Interseção compreensiva com manifestações de aparente sem sentido.

É na reivindicação de uma atenção diferenciada, o ponto de partida para estabelecer contato com as tramas da originalidade. Prefácios de natureza imprevisível anunciam referenciais de linguagem própria. Escolhas por entre miragens do real preferem uma relação distanciada dos consensos. Há que se ter plasticidade para descobrir as senhas às rotas de exceção.

A simbologia narrativa inaugura-se em múltiplas versões. Introdução caótica por onde pode se iniciar a terapia. Harmonia na conversação com as subjetivas verdades. No desvelar simulacros, se faz possível um ponto de encontro, por entrementes de um logos a decifrar seus outros.

Uma fenomenologia do fazer clínico esboça encantamentos indizíveis ao olhar de senso comum. Natureza dessemelhante em traçados de autonomia. Segredos bem guardados podem se oferecer, bem depois que a confiança em poder compartilhar tiver chegado.

Inéditos escolhem ares de um sagrado para si. Percursos em descobertas de originalidade. Modos de ser na manifestação estética dos desatinos. Alternativas ao explorar compartilhado na revelação do espelho (ir)-refletido nos encontros. Aspectos de sem rosto na (in)conformidade de ser normal. Sofisticadas formas engendram enigmas de aparência inexplicável.

Tendo por começo uma investigação-reflexiva compartilhada: a história de vida, suas relações, crenças e contextos, constituem janelas entreabertas ao decifrar improváveis verdades. Os venenos e contravenenos, também se oferecem, no esconde-esconde das narrativas. Possibilidades de (re)significação para a existência. Desconformidade para com os limites atuais. Diálogos em devaneios de intercâmbio com a diversidade de cada um.

As estéticas do humano insinuam-se nos esboços de exótica inspiração. Procura na interrogação múltipla dessas vias de integração. Uma diversidade prodigiosa aprecia imperceptíveis zonas limítrofes a condição humana. Versões de aparente falta de sentido, aparecem na irregularidade dos relatos. Incógnitas aguardam ânimos de interseção compreensiva. Reconhecimento dos inexplorados territórios no desvendar a matéria-prima compartilhada na aproximação retrospectiva com os fenômenos da exceção.

Um existir polivalente multiplica-se nos indícios, em alegorias do recordar. Segredos de aparência enigmática traduzem estranhos horizontes. Ponto de partida ao desvendar-se nos irreconhecíveis espelhos. Um viver inédito ensaia passos no sutil desdobrar das incertezas. Conjugar de estranhamento em tudo aquilo, até então, considerado normal. Re-significar nas traduções de aparente sem sentido. Inacreditáveis atalhos descobrem suas rotas (de fuga). Um absurdo revela-se em hipóteses de viver autêntico.

Mesclas na historicidade compartilhada das sessões. Um algo mais ultrapassa a interseção reflexiva-compreensiva dos encontros. Referencial às recíprocas da atenção e do cuidado. Encontro de hora marcada com a subjetividade do sujeito. Ocasião para as dinâmicas do fazer clínico ganharem sua melhor versão. Apropriação de saber na intencionalidade decifrada com as singularidades. Constituição na superação interativa dos re-começos. Os mistérios do vasto mundo encontram, na pessoa, um laboratório eficaz nas suas experimentações. Formas de saber impreciso no aparente sem nexo das alegorias.

A fundamentação de inspiração analítica e fenomenológica, antes de ser excludente, estrutura-se ao fazer clínico. O ser terapeuta se constitui no absurdo encontro das sessões, numa interação transformadora com as crises. A suspensão provisória dos juízos (alguns), se faz cúmplice aos inéditos. Aspectos de um outro, até então desconhecido, revela-se no pretérito imperfeito das reconstruções. Devir retrospectivo a desvendar vontades e representações. Obra aberta as preliminares investigações, recompõe-se em nostalgias de contar.

A alquimia silenciosa das palavras possui pretextos de expressividade. Tradução das raridades contidas na loucura poética do existir. Com a ajuda dos termos agendados, é possível acessar excepcionais realidades. Incontáveis achados na intimidade do dizer. Vestígios ao descortinar harmonias de aspecto irreconhecível. Uma natureza polifônica estrutura-se na imprecisão de ser estranho. Roteiros de aparência indecifrável elaboram-se em traços de manifestação incrível. Inesperados achados no compartilhar clínico. Um ritual sagrado aprecia descortinar farmácias.

Signos de exceção nos ensaios de ultrapassar a normalidade. Emancipar fronteiras, na (re)descoberta para além das anterioridades. Um Gaijin no (re)começo de cara nova com os recentes achados. Apropriação no viver diferenciado da diversidade representativa. Elucidar incógnitas pressupõe adequação e plasma, desapego e múltiplas habilidades, no vaivém em busca de (re)criar-se.

Um admirar-se reinventa trajetos até então impensáveis. Inesperado esboço no dizer contraditório das interseções. Múltiplos enredos ao olhar capaz de enxergar aquilo que ninguém mais vê. No dialeto das narrativas pessoais, inexplorados territórios insinuam-se em vias de acesso à magia do contar. Jogo de cena nas semioses da presença. A polifonia desses enredos estabelece uma exótica conversação com as estéticas de expressão marginal.

As dialéticas do existir constituem uma sintonia com os ícones da divergência. Percepção de consciência alterada na fenomenologia mutante dos encontros. Enigmas contidos nas descontinuidades encontram, no simulacro dos ensaios, vislumbres ao querer dizer surreal dos discursos. Devir das intencionalidades no sagrado refúgio dos hermetismos.

Indeterminados episódios podem desvendar, na inspiração silenciosa de um dizer qualquer, múltiplos percursos, no aparente sem rumo das opções. O terapeuta ao se fazer cúmplice desses roteiros da investigação, compartilha falas, escutas e olhares. Aproximação com o fora de foco da estrutura em busca de encontrar-se.

Excepcionais biografias aguardam ocasião para revelar-se. No vir-a-ser dos instantes, tudo pode mudar. Experimentos e entrelinhas de dizer contido. Interlocução com as estruturas distanciadas dos consensos. Em busca dos segredos assim constituídos, múltiplos disfarces elaboram rotas de imprecisão aos exóticos esconderijos.

Extraordinárias versões, até então, refugiadas no dizer incompreensível das fantasias, a partir de agora se exercitam na arquitetura multicolorida de aparente sem nexo. Lógicas difusas anunciam um instante qualquer para as manifestações em devaneios de transformação.

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