capa do livro

O rádio sem onda

Convergência digital e novos desafios na radiofusão

Marcelo Kischinhevsky

Fim do rádio e emergência de novas mídias

Nas últimas décadas – em função de uma presença mais efetiva das novas tecnologias –, vêm ocorrendo transformações profundas nas chamadas indústrias culturais. A ecologia dos processos comunicacionais vem sendo desestabilizada em função da construção e consolidação de um novo sistema mundial multimídia que emprega articuladamente recursos analógicos e digitais. Em função disso, vem crescendo o número de investigadores que estão preocupados em analisar as continuidades e as rupturas na dinâmica da indústria da comunicação (em seus mais diferentes setores) neste período de transição para a chamada Era Digital.

Dentre os meios de comunicação, a persistência de uma mídia em particular vem chamando a atenção na última década: o rádio. Tendo em vista as inovações e a popularidade alcançada pelas novas tecnologias, cada vez mais a sociedade contemporânea vai se dando conta de que, apesar da “simpatia” que o consumidor tem em relação a este veículo, o rádio analógico encontra-se na iminência de se tornar um aparato obsoleto.

Podcasting, Web Radios, Digital Audio Broadcasting (DAB), Digital Satellite Radio, Digital Radio Mondiale (DRM), são muitas as opções que vêm emergindo ao atual modelo analógico. Em seu livro O rádio sem onda, Kischinhevsky avalia de forma cuidadosa essas mudanças que certamente afetarão este meio de comunicação que a humanidade aprendeu há quase um século a identificar como “rádio”. O autor argumenta que, seja qual for o padrão hegemônico que emergirá destas disputas, o rádio analógico parece efetivamente condenado. Ele destaca que a digitalização já vem envolvendo investimentos de grande magnitude e que, em breve, as pequenas emissoras independentes de grandes grupos de comunicação já começarão a sentir os primeiros efeitos da migração de recursos.

Assim, ao longo do seu livro, Kischinhevsky – que traça ainda um panorama do rádio ao longo do século XX – discute as seguintes importantes temáticas relacionadas a este veículo de comunicação: a) problematiza seu papel de mediador social e de peça-chave nos processos históricos de construção de identidade nacional; b) repensa a segmentação ocorrida a partir dos anos 1970, durante a qual passou-se a importar modelos norte-americanos, buscando refletir sobre as conseqüências desse processo para a dinâmica do rádio no Brasil; c) analisa a emergência do universo alternativo/independente, enfatizando os conflitos, tensões e inovações geradas pela presença de rádios livres e/ou piratas no dial, bem como o impasse que estas emissoras vivem após uma regulamentação que tolhe seu desenvolvimento e veda seu acesso a patrocínios; d) reavalia a condição do consumidor de rádio e seu papel no processo emissão-recepção; e) e, finalmente analisa o impacto gerado pela emergência da rádio digital, seja na forma de podcasting, web radios ou rádio via satélite.

Para o autor, portanto, o rádio convencional – mais cedo ou mais tarde – se transformará num objeto tecnológico destinado à exposição em museus ao lado do kinestoscópio, do gramofone ou do telex. Kischinhevsky sugere que as novas emissoras usarão o termo rádio durante algum tempo apenas como uma pálida referência a uma mídia que ainda permanece como importante parâmetro cultural para os indivíduos (quando querem se referir a uma programação de áudio, seja ela de natureza noticiosa ou musical). No seu lugar, com a intensificação da convergência tecnológica, ele identifica a emergência de emissoras digitais, conectadas em redes via Internet ou por satélite, cada vez mais integradas a outras novas mídias.

Assim, tendo em vista as rápidas mudanças que vêm ocorrendo nos processos comunicacionais, num contexto atual marcado pelas incertezas e pela forte presença das corporações transnacionais de multimídia (e entretenimento), recomendo este livro aos leitores interessados em refletir criticamente sobre o futuro da radiodifusão: nesta publicação, encontrarão uma análise densa, contundente e sem as projeções “mitificadoras” ou celebratórias que, em geral, na última década, vêm caracterizando os estudos de comunicação sobre a web.

Micael Herschmann

 

 

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