capa do livro

Design para a inovação social e sustentabilidade (LIVRO)

Comunidades criativas, organizações colaborativas e novas redes projetuais

Ezio Manzini

Apresentação

As inovações sociais abrangem um campo muito amplo de possibilidades. As inovações sociais em geral referem-se a novas estratégias, conceitos e métodos para atender necessidades sociais dos mais diversos tipos (seus campos de aplicação são os mais variados, condições de trabalho, lazer, educação, saúde, etc.). As inovações sociais referem-se tanto a processos sociais de inovação como a inovações de interesse social, como também ao empreendedorismo de interesse social como suporte da ação inovadora.

O presente livro dá atenção a inovações sociais de um tipo específico. Do lado positivo, ou seja, desde a perspectiva daquilo que se pretende ver afirmado com elas, elas são comprometidas com a ampliação e o aprofundamento de nosso senso de comunidade. Do lado negativo, ou seja, desde a perspectiva daquilo que não se pretende ver afirmado com elas, elas são comprometidas com evitar a crueldade, “a pior coisa que fazemos”, como expressa Judith Shklar em Ordinary Vices (1984). Evitar a crueldade é o limite tanto com relação aos fins quanto aos meios de efetivação de inovações sociais solidárias.

No livro de Ezio Manzini tem destaque a questão ambiental como quesito da desejada sustentabilidade de produtos e processos. Mas não se trata de uma perspectiva absolutizante. O empenho por modos de vida sustentáveis diz respeito as mais variadas dimensões relacionais da condição humana.

Este livro teve como catalizador de sua feitura o curso que Ezio Manzini ofereceu no Programa de Engenharia de Produção da Coppe/UFRJ com apoio da Escola de Altos Estudos da Capes para uma ampla rede de cursos de pós-graduação brasileiros. O curso foi denominado DESIGN.ISDS 1 – Design, Inovação Social e Desenvolvimento Sustentável.

Elemento fundamental da mensagem de Manzini é a proposição de plataformas habilitantes como ferramentas para “mudarmos a mudança” em meio à qual vivemos.

Implica mais do que o mero exercício de habilidades técnicas. O código de acesso para nossa possibilidade de “mudarmos a mudança” não é um artefato técnico, mas sim nossas atitudes, palavras e atos, nossa capacidade de afirmar valores e compromissos. “Dar certo” não é critério para proposições que querem ser eticamente fundadas. O artefato técnico é uma ferramenta a serviço das relações interpessoais. Não um dispositivo de formatação das identidades, num mundo onde nossas liberdades se confundem com as pré-programações de possibilidades enumeradas segundo regras de videogames. Dizer isso significa reconhecer que as imposições da racionalidade instrumental (e da produtividade) precisam ter limites. E que desses limites se tece o lugar próprio para espaços de experiência e horizontes de expectativa da convivencialidade. Espaços e horizontes que Martin Buber designaria como dialogais.

O presente volume abre a coleção Cadernos do Grupo de Altos Estudos do Programa de Engenharia de Produção (http://www.producao.ufrj.br).

É significativo que o primeiro volume da coleção seja dedicado ao campo temático da interface entre Engenharia de Produção e Design. O Programa de Produção tem uma história de atuação significativa nessa interface. Sempre buscamos uma coerência na atitude de ver na Universidade um lugar de encontro e diálogo. Em nossa perspectiva a Engenharia de Produção é um lugar privilegiado para a interface da técnica com dimensões metatécnicas.

O programa de Engenharia de Produção da Coppe foi, no passado, lugar de formação em nível de mestrado e doutorado de muitos colegas hoje professores de diversos cursos brasileiros de Design. Faço dessa apresentação também ocasião para homenagear um colega recentemente falecido, o professor Estevão Neiva de Medeiros, que tanto contribui para essa presença do Design na Engenharia de Produção. O lançamento do livro de Manzini, tão próximo da data falecimento de Estevão, mistura tristeza e alegria. Mas é essa a matéria de nossas vidas humanas.

Finalizo com um convite. Para mim todo prefácio é um convite. No passado recente vi um belo filme alemão (“A vida dos outros”). Dele retiro uma referência final para o convite que hoje faço. Se naquele filme há referência a uma peça musical com o título “Sonata para um homem bom”, quero como coordenador do Programa de Engenharia de Produção da Coppe convidar a todas as pessoas boas – mulheres e homens – a lerem o livro de meu amigo Ezio. Não é um livro especializado para designers ou engenheiros de produção. É uma obra para pessoas boas.

Que a alegria de vocês em lê-la seja grande e fecunda. A minha foi.

Roberto Bartholo

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