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Reportagem Policial

Percepções e desafios no cotidiano jornalístico

José Amaral Argolo

Apenas um comentário

A ideia de elaborar um trabalho sistematizado sobre a prática da Reportagem Policial: características, setores de cobertura obrigatória e métodos utilizados durante a etapa de coleta/ apuração nasceu, de fato, há 37 anos, quando o Autor era ainda jovem nesse campo de atuação jornalística (embora com certo conhecimento derivado do aprendizado prévio em assuntos relacionados à Ciência Penal, como advogado associado em um modesto escritório e já cursando em paralelo um programa de pós-graduação em Criminologia Clínica e Psicopatologia Forense no Instituto de Psiquiatria Penitenciária Nelson Hungria, instalado no Complexo Frei Caneca do antigo Departamento do Sistema Penitenciário [Desipe]).

Na época, a tônica do noticiário – além dos crimes perpetrados pelos inúmeros grupos de extermínio na Baixada Fluminense – girava em torno do assassinato de Cláudia Lessin Rodrigues, cujo cadáver fora encontrado (em julho de 1977) preso às pedras do costão da Avenida Niemeyer, bem próximo do local denominado Chapéu dos Pescadores, em São Conrado (Zona Sul).

A passagem do tempo não comprometeu o espírito que norteou a elaboração desse volume, mesmo porque inexistem no Brasil muitas referências bibliográficas sobre esse front de operações jornalístico. Como os(as) leitores(as) têm conhecimento, por força das desigualdades sociais acumuladas em décadas de desídia administrativa somada à corrupção no âmbito do Poder Público, a violência cresceu nas principais cidades do País e atingiu patamares jamais cogitados.

Germinadas no solo fértil dos presídios em pleno regime militar (1964 [ou 1968, como defendem alguns historiadores]-1985) ocorreram disputas entre as facções criminosas primeiramente enquistadas no convívio da massa carcerária e logo exteriorizadas nas escaramuças de rua entre estas e as Polícias Civil e Militar. Dessas ações táticas “expropriatórias” e dos “justiçamentos” (execuções) de parte a parte resultaram vítimas na quase proporção de uma guerra civil.

Com efeito, segundo dados disponibilizados pelo Instituto de Segurança Pública (ISP), nesse turbilhão de violência mais de 90 mil pessoas foram assassinadas nos últimos 10 anos no Estado do Rio de Janeiro.

Os resultados dramáticos desse agora de todos nós são mais do que adequados para que a Reportagem Policial seja tratada com a desenvoltura que merece sob o duplo viés acadêmico/profissional.

A retomada do projeto original – com a ampliação e revisão dos tópicos – foi materializada graças ao estímulo e à sensibilidade dos amigos conquistados ao longo dessa imponderável jornada chamada vida.

Todo o esforço foi despendido para dissecar os meandros da Reportagem Policial: da Fragmenta Histórica ao perfil e motivação desejáveis; da elaboração das pautas comuns, suítes e especiais, à formatação do noticiário segundo direcionamentos próprios; da ética indissociável ao exercício da profissão às fontes e recursos utilizados para a obtenção dos dados complementares; das coberturas setoriais aos cuidados para a complementação dos dados e extensivos aos próprios cuidados com a segurança pessoal.

Tentei oferecer aos (às) jovens jornalistas e demais interessados(as) na matéria exemplos sobre como proceder diante de situações imprevistas e/ou de intensidade máxima. No conjunto, é importante ressaltar, esse trabalho apresenta um tanto da minha própria trajetória pessoal. E se preferi dar ênfase às publicações impressas, é porque foi nos diários que construí a maior parte da minha caminhada.

Antes, porém, de apresentar os resultados dessa experiência singular, devo agradecer àqueles que, com generosidade, me ofereceram amizade, confiança e/ou apoio intelectual.

No ambiente acadêmico, sou grato a alguns professores – em diversas etapas e setores da minha formação – notadamente a José Marques de Melo (Titular e Emérito da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, meu supervisor no Pós-Doutorado em Jornalismo), Nilson Lemos Lage, Paulo Sergio de Souza, Luís Carlos de Oliveira, Nelson Dimas Filho, Aluizio Ramos Trinta, Cid de Albuquerque Kling, Mario Wellington Pitta Ribeiro, Raymundo Bittencourt Machado, Eurico de Lima Figueiredo (Titular e Emérito da Universidade Federal Fluminense, meu supervisor pedagógico no estágio de Pós-Doutorado Sênior em Estudos Estratégicos)), Ester Kosovski (Titular e Emérita da Escola de Comunicação da UFRJ, minha orientadora no Doutorado em Comunicação e Cultura) e seu esposo. Dr. Naum (acima de tudo um gentleman), Alino Lorenzon (Titular do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da UFRJ, meu orientador no Programa de Mestrado em Filosofia da UGF), Eduardo Abranches de Soveral, Emmanuel Carneiro Leão e Luiz Alberto Moniz Bandeira.

Tive outros mestres, alguns deles um pouco menos frequentes no convívio diário. Muito devo a Nelson Rodrigues, Deodato Maia e Aguinaldo Silva, quando comecei a atuar na Grande Imprensa como trainee do Globo em 1977 (antes disso, desde 1972, editava ou colaborava em alguns periódicos no formato tablóide [tamanho equivalente à metade do modelo standard)); a Zuenir Ventura por tudo aquilo que escreveu e pelo estoicismo diante das injustiças e da adversidade; a Hílcar Leite, veterano Chefe de Reportagem de O Dia, ex-ativista formado pela Escola de Quadros do Partido Comunista da União Soviética, em Moscou.

Na Escola de Comunicação da UFRJ, unidade de ensino onde ingressei (1992) por intermédio de concurso público de provas e títulos, agradeço àqueles que me incentivaram, muito especialmente os colegas professores, não importando a idade, o tempo na profissão (e até mesmo eventuais divergências) relacionados na primeira nota de fim, ex-orientandos no curso de graduação em Jornalismo e/ou nas disciplinas que ministrei tanto no Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura (onde ingressei a convite do professor Emmanuel Carneiro Leão), como em outros cursos de Mestrado Interinstitucional e/ou de Especialização ministrados no País.

Sem esquecer os funcionários que me honram com sua lealdade e gentileza; muito especialmente Gilda Paes, Maria das Graças Costa da Rocha, Laercio de Nonno, Marienne Brasil, Joaquim Sobral, Roberto Bonavitta, Paulo Pascoal, Ângela Frazão, Ricardo Naufel (excelente cinegrafista), Antonio Carlos (o mago dos computadores)...

E aos amigos que fiz junto à Secretaria da ECA–USP, sempre atenciosos e gentis.

Aos valorosos e discretos irmãos da Augusta e Respeitável Loja Maçônica Stanislas de Guaíta, n. 65 (da qual tive a honra de ser um dos fundadores), o meu reconhecimento e lealdade. A propósito, meu afilhado Robson Granado, sua esposa Chrystina e as crianças merecem referência especial. São, de fato, esteios nos momentos de angústia e indagações.

A estes somo agradecimentos ao Prof. Dr. Gabriel Collares Barbosa que, se Deus o permitir, continuará a obra que iniciei sobre grandes jornalistas brasileiros (dois densos volumes, cada qual dividido em dois tomos, estão quase prontos), bem como cuidará dos apontamentos, ainda inéditos. A ele e sua família, paz e prosperidade.

Na órbita militar, além dos meus ex-alunos nos estágios de Comunicação Social (área de Jornalismo) e de Operações Psicológicas – que ministrei tanto no Centro de Estudos de Pessoal como no Centro de Instrução de Operações Especiais do Exército Brasileiro –, sou grato aos amigos e ex-alunos, notadamente os tenente-coronéis Ewerton Araujo do Santos e Denis de Miranda; a Rogério Marques (ESG Caepe), ao tenente Josué Calmon (CEE/ESG, sempre dedicado, prestativo e incansável); e aos coronéis da Força Aérea Mauro Siquera e Jairo Costa. Pessoas para quem todos os elogios serão sempre insuficientes.

Entre os militares da velha guarda mas nem por isso distantes do meu universo profissional, essa relação pode até parecer extensa.

Alberto Carlos Costa Fortunato e Luiz Helvécio Pereira Leite (cujos depoimentos foram essenciais para a elaboração de dois volumes sobre a História Política e Militar do Brasil), Antonio Carlos Guelfi, Itamar Cardoso Plum, Sergio Corrêa, (coronel e professor) João Matos, almirantes-de-esquadra José Antonio de Castro Leal e Luiz Umberto de Mendonça; brigadeiros-do-ar Antônio Gomes Leite Filho e Carlos Alberto Pires Rolla; generais-de exército Túlio Cherem, Zenildo Zoroastro de Lucena, Sergio Conforto e José Benedito de Barros Moreira; brigadeiros Delano Menezes e Carlos Baptista Júnior; general de brigada João Cézar Zambão.

A outras pessoas estendo a gratidão sincera e desinteressada: meus tios Reynaldo, tenente coronel aviador cassado com base no Ato Institucional Número 2 (e sua esposa, Heny, minha prima-irmã), e seu irmão, José de Jesus Serra Costa, professor, matemático e estatístico renomado, ambos falecidos. Sou devedor do apoio com que me distinguiram desde a tenra idade.

A Fábio Samu, entusiasta do Programa de Ressocialização dos encarcerados e, ele próprio, pesquisador acurado e profundo conhecedor dos meandros da administração penitenciária.

Aos meus orientandos e ex-orientandos nos programas de Pós-Graduação em Ciência Política e de Estudos Estratégicos da UFF, nessa etapa singular da minha vida: Caetano Tepedino Martins e José Cimar Rodrigues Pinto, o apreço desinteressado e duradouro.

Incluo nesta relação, os companheiros da Turma Povo Brasileiro (Caepe 2007) da Escola Superior de Guerra, pessoas de elevado espírito patriótico e solidário. Sem exceção.

A Luiz Claudio de Souza Gomes e Pedro Fonseca Júnior, ainda contribuindo com dedicação e inteligência para a ESG, Evoé!

Bem como aqueles amigos de todos os tempos: Rogério Fábregas, Fernando Estrella, Fátima Lencastre, Luiz Antonio Farah de Aguiar, Fernando da Matta Machado, Carlos França e Luiz Alberto Machado Fortunato, Marco Antonio Coutinho (Magoo, místico profundo, genial poeta e escritor), Edmundo Neder, Fernando Athayde, Fernando Antonio Soares de Oliveira, Gustavo Câmara (e demais atletas, como eu, da Velha Guarda da equipe do sensei Tadashi Takeuchi, um dos mais fortes lutadores que conheci)

Destaco, por dever de justiça, a valorosa equipe da E-Papers, nesta quinta jornada de atuação conjunta.

Ao Alcyr, todas as palavras seriam insuficientes para registrar o apreço e gentileza ao longo desses anos de intensas atividades jornalísticas.

À minha querida Márcia Vieira dos Santos, por compartilhar das amenidades e tempestades do cotidiano.

E a Yolanda e José, pelo privilégio de tê-los como pais.

José Amaral Argolo

Rio de Janeiro/Teresópolis-Miguel Pereira, verão de 2013 outono de 2014

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