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O enigma da Peste Negra

Fernando Portela Câmara

A peste é a doença mais letal de que a humanidade tem notícia, e o bacilo da peste, a Yersinia (Pasteurella) pestis, o microrganismo infeccioso mais perigoso, versátil e adaptativo da natureza.

A Peste Negra vem sendo estudada desde o século XIX, mesmo antes da descoberta do agente etiológico e do seu ciclo de transmissão. O interesse surgiu da necessidade de a ciência médica estar preparada para enfrentar uma crise de mortalidade jamais vista na história da humanidade. E como um toque macabro, no final desse mesmo século emergiu a Terceira Pandemia (1894-1930), a Peste Oriental, confrontando o mundo ocidental em plena industrialização e com leis sanitárias modernas. A bacteriologia já era uma ciência médica em 1894, e logo o agente dessa praga, a Yersinia pestis, foi identificado e os primeiros soros antipestosos produzidos. Pela primeira vez a ciência médica estava preparada para compreender sua causa e origem, e logo percebeu a mesma natureza da Peste Justiniana e da Peste Negra. Algumas décadas mais tarde, o uso dos bacilos da peste, do antraz e da tularemia em guerra biológica nos conflitos entre o Japão e a China e entre os EUA e a Coreia, além da recente ameaça do bioterrorismo, trouxe à tona novamente o interesse científico e histórico-epidemiológico na peste. Decifrar os enigmas históricos, ecológicos e evolucionários dessa catástrofe biológica é um imperativo médico, biológico, social, antropológico, estratégico e político. As pandemias de peste já ameaçaram a humanidade com o risco de extinção e seu patógeno letal, que jamais foi erradicado, vem lentamente recobrando suas forças. (...)

Este livro é sobre a Peste Negra, uma expressão aqui usada para designar as formas pandêmicas de peste, diferenciando-as das linhagens com potencial apenas para epidemias locais (o termo foi historicamente usado como referência à pandemia medieval). Contaremos sua história, investigaremos pontos obscuros, reexaminaremos e procuraremos solucionar controvérsias e tentaremos entender as engrenagens que movimentam a natureza a despertar aquilo que alguns investigadores consideram a maior ameaça biológica à existência da humanidade. Por fim, tentaremos solucionar alguns enigmas ainda pendentes sobre essa misteriosa doença. Apresentaremos também evidências de que a peste atacou a civilização antiga desde a 18ª dinastia egípcia e que seu foco encontra-se dormente até hoje na África Central/Oriental. Dele também saiu a peste que devastou o mundo civilizado, encerrando a Era Antiga: a pandemia do ano 540 de nossa Era, a Peste Justiniana, imprecisamente denominada de Primeira Pandemia. Pensamos que desse foco ancestral evoluiu a Yersinia pestis e dele se originou o foco da Ásia Central, de onde emergiram a Segunda e a Terceira Pandemias. (...)

Fernando Portela Câmara

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