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Vukápanavo: O despertar do povo terena para os seus direitos

Movimento indígena e confronto político

Luiz Henrique Eloy Amado

Este é um dos livros que deveriam ser lidos por estudantes, professores e por todos que se dizem interessados na Antropologia. É preciso dar-se conta de que os indígenas no Brasil não estão mais do lado de fora das muralhas da Antropologia, há sinais claros de um novo tempo. Os Terenas de que o autor nos fala não são aqueles dos relatos dos viajantes nem do olhar estrangeiro. Aqui não está presente a distância abissal instituída artificialmente entre o eu e o nós do processo narrativo, condição para uma inspiração exotizante e uma mirada eurocêntrica e reificadora. Tão pouco o descompromisso com os padecimentos e as lutas dos pesquisados faz parte dos procedimentos desta nova etnografia. A produção autoral não se divorcia de um protagonismo coletivo, portanto político e cultural. Trata-se de uma leitura enriquecedora para todos que acreditam que a Antropologia doravante não pode seguir objetificando os seus muitos “outros” de acordo com projetos alheios de desvendamento e controle.

João Pacheco de Oliveira

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