capa do livro

Engenharia do Entretenimento: Meu vício, Minha virtude

José Augusto Nogueira Kamel

Este livro contém uma história de dedicação na minha trajetória como artista e como professor. As duas faces deste caminho, em sinergia, apresentam ao leitor o primeiro fruto desta árvore com raízes no céu. Desde menino, tenho o exato olhar ao desenhar as palavras difíceis como “entretenimento” para mim. Uns idolatram, outros debocham. As crianças aplaudem, o vivido sorri. Tenho aprendido esta história como quem contrai um vírus novo neste século. Sempre instigante transformação. Às vezes sedução, às vezes febre. Contaminados estamos todos, como a peste artaudiana. Produtores e consumidores. Fato que universaliza o interesse, valoriza a necessidade de entendimento, enobrece a árdua tarefa de unir corações para o diálogo e a reflexão sobre a cultura, a arte, a educação, o lúdico e a diversão.

Estou feliz com a caminhada desde a cadeira na graduação no curso de Engenharia de Produção em 2002. É um privilégio, uma cadeira eletiva começar com 38 alunos e seguir com grande interesse de todos. Neste semestre 2006.2 continuamos com uma bela qualidade de alunos. Seguiram outros projetos como a concha acústica, o convênio com a TV Globo renovado por mais 5 anos em 2004, a integração DEI/PEP da UFRJ, a linha de pesquisa reconhecida pelo CNPq, a disciplina na pós-graduação da Coppe e o Laboratório de Engenharia do Entretenimento (site) em 2004.

O I Congresso de Engenharia do Entretenimento (CEE), em 2005, os livros, os espetáculos “Mundos por Descobrir” escrito e dirigido por Hamilton Vaz Pereira, e “Ponto de Encontro-dança” por Roberto Guarabyra, a incubadora de entretenimentos em 2006, o Boemia Rock, o UFRJ/Nação-Maré – HipHop, o UFRJ /Lapa-Chorinho, o selo de música, o curso de pós-graduação lato sensu e outras tantas aspirações como frutos do equilíbrio artístico e técnico, visão de longo prazo como requer a boa educação, e objeto da praxis do engenheiro de produção desde os primórdios da Engenharia de Produção, integrar produção e administração; projeto, produto, produção e pós-produção. Os projetos alçam vôo para que o sonho se torne realidade. “Sei que sou um sonhador, mas sei que não sou o único” cantou Lennon. Walt Disney e tantos outros “loucos” construíram e inspiram esta bela história. Os amigos, sintam-se todos abraçados e beijados pela colaboração neste tempo todo. Aos inimigos, como o Cazuza cantou de modo incrível, “faz parte do meu show”.

A Engenharia de Produção nasce nos anos 70 no Brasil, na UFRJ, com a primeira turma formada em 1973. Nos anos 80, estava voltada exclusivamente para a indústria. Nos anos 90, desenvolveu-se para o então ágil setor de serviços. Na UFRJ, surgem várias iniciativas sociais até então não incluídas como objetos de estudo, pesquisa e extensão. Participo diretamente da concretização de Projetos Sociais, que direcionamos para Projetos Socioculturais, desde 1994, quando da fundação da Incubadora Tecnológica de Cooperativas Populares. História de outro sonho com um Quixote inesquecível, parceiro de tantas loucuras e devaneios, o prof. Miguel de Simoni (in memoriam). Participei dos primeiros projetos do Laboratório de Tecnologia e Desenvolvimento Social com outro Sísifo feliz, prof. Roberto Bartholo. Com esses dois cresci. Este ano completo 20 anos de UFRJ, 30 de palhaço Bocão, 23 de músico, 13 de ator, 8 de dançarino. A Engenharia do Entretenimento surge neste caminho indústria-serviço-entretenimento no mundo e no Brasil. No final do primeiro capítulo conto a minha iniciação nos trabalhos socioculturais da Engenharia de Produção em Vigário Geral na Casa da Paz que sintoniza com parte da história da Engenharia de Produção no Brasil. Criar sustentabilidade é necessário e urgente para o nosso povo.

Os novos paradigmas em relação ao trabalho e ao não-trabalho, o papel da arte na sociedade, os sentidos que o entretenimento fomenta na cultura e na educação, são exemplos das questões que devem ser integradas para que o entendimento social, econômico e ético perpasse o ensino desde os primeiros passos na escola. Para que as árvores tenham consciência do seu tronco, caule, folhas, frutos e, também, das raízes.

A Internet pode ser acessada em muitos lugares e, portanto, tem integrado espaços, carecendo de delimitação e mesmo de adaptação das pessoas às novas necessidades e configurações de tempo. A dança, o circo, a música, as artes plásticas, mas também a bola de gude, o pião, a pipa, a pelada, a poesia.

A dramática exclusão social e digital vira terror na corrupção, na guerra, no poder e nas relações pessoais.

Equações deveras instigante, pois falam da vida, dos encontros e desencontros, dos projetos socioculturais, da relação dominador/dominado, dos valores humanos, dos limites, da ética, do amor. Enquanto congregação de professores e palestrantes, alunos, entretidos e interessados; este primeiro encontro trouxe alegria, realização e maturidade para continuar seu fluxo. É com muita alegria e dedicação que oferecemos essas primeiras idéias sobre a Engenharia do Entretenimento e um questionamento sobre o trabalho e o entretenimento no século XXI.

Este livro é também fruto do I Congresso de Engenharia do Entretenimento — “Meu vício, minha virtude”, realizado nos dias 26, 27 e 28 de outubro, no Fórum de Ciência e Cultura da UFRJ no Campus da Praia Vermelha. O congresso alcançou seu objetivo de encontrar os pares e párias na UFRJ e compartilhar ensino, pesquisa e extensão. Contou com o patrocínio do Fórum, com a participação de mais de 100 congressistas, 11 palestrantes, 22 artigos aprovados pelo comitê científico, 5 casos de sucesso e 1 oficina de máscaras. Com um corpo de conhecimentos diversos, desenvolvidos por vários professores, quisemos reunir essas pessoas que estão com o gosto de denominar UFRJ Entretenimento. Um curso multidisciplinar porque o objeto de estudo extrapola muitos cursos e idéias. Na palavra “entretenimento” também há mais do que julga a nossa vã filosofia. Como na fábula, “entreter para não ser tragado”. Imperioso neste início do século XXI é orquestrar produção e consumo, trabalho e lazer, entretenimento e tédio para uma vida ética procriar felicidade e beleza.

O livro tem duas partes distintas que se complementam. A primeira tem nove capítulos escritos pelos palestrantes. A segunda traz os melhores artigos aprovados para apresentação em sete capítulos em torno dos eixos temáticos. Alcançado objetivo, o I Congresso de Engenharia do Entretenimento tematizou entretenimento na UFRJ.

A história deste livro é uma história de um sonho. O sonho deu lugar à convicção que tem me levado a belos encontros. Com nossos amigos e nossas canções, vários outros sonhos percorrem esta história. Cada pessoa que foi ou é envolvida, agrega aquele cantinho lúdico que nossa criança interior teima em brilhar nos olhos e o palhaço ao ver, toca em sorriso e ânimo. Como a raiz do verbo latino tenare sugere – agarra a sua alma.

Nasce de um sonho. De uma vida inspirada, terna, expressiva e artística. Nasce de um sonho integrador de um ainda aspirante a palhaço. Reunir conhecimentos no intuito de fornecer suporte aos projetistas e administradores, economistas, artistas e técnicos, aos comunicadores e à sociedade. A história deste livro também é uma história de encontros e desencontros. Durante o nevoeiro, levamos o barco devagar para que as inquietações, as dificul­dades, a perseverança, a alegria, a malícia e a raça chegassem a um porto humano. Com o destino de emoção, esta história torna obra parte de uma visão inovadora e multidisciplinar. É comemoração com amigos, uma festa, um espaço de liberdade e responsabilidade onde entreter-se, dialogar, é o próprio sentido. É o meu primeiro livro, é o que eu tinha que organizar e escrever! Flores para todos nós que aqui estamos, aos que já passaram e aos que virão. Bença. Saravá meu pai!

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