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Estratégias para o Desenvolvimento

Um enfoque sobre Arranjos Produtivos Locais do Norte, Nordeste e Centro-Oeste Brasileiros

Helena M. M. Lastres e José E. Cassiolato (orgs.)

Apresentação

A atuação do Sistema Sebrae em todo Brasil tem sido fortemente marcada nos últimos anos pela execução de projetos de estruturação, especialmente em agrupamentos de micro e pequenas empresas (MPEs), utilizando-se as diretrizes e a metodologia da gestão orientada para resultados.

Neste cenário busca-se valorizar dois aspectos fundamentais da moderna gestão de recursos públicos e privados para a promoção do desenvolvimento sócio-econômico, quais sejam, a transparência e a participação democrática dos atores envolvidos.

Acresce-se ainda um ingrediente fundamental que já tornou-se prática consolidada no SEBRAE: a necessidade de “cooperar para competir”, na convicção de que a união de esforços integrados das micro e pequenas empresas eleva a competitividade, além de facilitar ações de capacitação, de acesso à inovação tecnológica e à serviços financeiros e de maior inserção no mercado.

É evidente a necessidade permanente de desenvolver instrumentos analíticos e operacionais que permitam identificar o “estado da arte” relativo a essas coletividades empresariais, que são de natureza múltipla e dinâmica. A partir desses instrumentos analíticos, desde o final do século passado, em muitos países e também no Brasil, o fenômeno das aglomerações produtivas passou a chamar atenção como relevante força social capaz de “recolocar” regiões economicamente deprimidas e politicamente enfraquecidas no cenário das alternativas de promoção do desenvolvimento, notadamente com a combinação de ingredientes econômicos e sociais.

O Sebrae, atento ao que debatiam acadêmicos e policy makers sobre tais aglomerações, mobilizou-se no sentido de conhecer experiências internacionais e nacionais, ao mesmo tempo em que convidou especialistas brasileiros e estrangeiros para ajudá-lo na interpretação e compreensão das perspectivas que se abriam a partir de então, para aprimoramento da sua forma de atuar.

Na parceria, desde então estabelecida com a RedeSist, foi possível a construção de conhecimentos – teóricos e metodológicos – sobre o chamado fenômeno das aglomerações produtivas: os Arranjos Produtivos Locais ou, simplesmente, APLs. Foi vencida uma primeira etapa fundamental para o alinhamento das visões e percepções com outras agências de governo e organizações não-governamentais. A partir daí coube uma ampla disseminação interna dos conceitos e fundamentos que passaram a nortear as diretrizes estratégicas institucionais, além de municiar-nos com novos ingredientes que permitiram entender o papel das micro e pequenas empresas no cenário econômico e social, brasileiro e internacional. Mais uma vez contamos com a parceria didática dos pesquisadores e professores que integram a RedeSist.

Os estudos e discussões apresentados nesta obra representam uma imensa contribuição à compreensão desses fenômenos da dinâmica sócio-produtiva, ao mesmo tempo em que nos impactam com a clara mensagem de que estamos diante de um dado de realidade sobre a sociedade brasileira e, por que não dizer mundial. Realidades estas que colocam em evidência a urgente necessidade de reconhecimento dessas capacidades produtivas – que são econômicas, culturais, tecnológicas etc – enquanto novos objetos na promoção do desenvolvimento das sociedades. E para fazê-lo exige-se discernimento, para que o alvo de instrumentos e recursos não seja perdido. É, portanto, um novo modo de pensarmos o desenvolvimento e não uma moda conceitual e terminológica que a todos pode abrigar.

O desafio agora é a promoção de resultados concretos que se traduzam em manifestação do desenvolvimento, como a geração de renda, a ampliação das oportunidades de ocupação, a prospecção e disseminação de conhecimentos técnicos e tecnológicos e, naturalmente, a maior inserção nos mercados doméstico e internacional. Além de outras estratégias de desenvolvimento, governo e sociedade precisam tomar decisões firmes e claras sobre como promover e apoiar os Arranjos Produtivos Locais, assim identificados, pois que sugerem oportunidade ímpar na forma de inovar nas políticas e instrumentos que promovam o almejado desenvolvimento sustentável.

Incentivo a todos que naveguem nas páginas dessa publicação, pois o conhecimento é imprescindível para gerar riqueza.

Luiz Carlos Barboza
Diretor Técnico do Sebrae Nacional

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