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De rodas, varejeiras e outros jeitos de aprender e ensinar

Elizabeth Tunes, Zoia Prestes e Roberto Bartholo (orgs.)

Desde o seu surgimento, por volta do século XII, até os dias de hoje, a instituição escolar desenvolveu e aperfeiçoou um modo particular de ensinar e aprender. Como não poderia deixar de ser, esse desenrolar histórico fez-se acompanhar de críticas contumazes, entre elas, para citar apenas algumas, as de Montaigne, Jacotot e outras mais recentes de Ivan Illich, em várias de suas obras. Este último autor denunciou a formação de um monopólio radical do que cunhou como modo escolarizado de ensinar-aprender, disseminando-se na sociedade o entendimento de que é válido e legítimo somente o saber ­adquirido no âmbito de uma instituição escolar.

Esse entendimento enraizou-se profundamente em nossa sociedade a ponto de tornar marginais quaisquer outras formas de realização do processo de ensino-aprendizagem. Ele cegou-nos e tornou-nos incapazes de pensar o quão pífios são os resultados desse modelo único que adotamos diante da magnitude do investimento econômico realizado para sua perpetuação. Há, por certo, um reconhecimento tácito da ineficiência desse sistema, reconhecimento esse que se revela, indubitavelmente, na sofisticação crescente e contínua dos métodos de avaliação de sua eficiência e eficácia. Contudo, quanto mais se avalia e quanto mais sofisticadas as formas de avaliação, mais se revela a falência. Apesar de ser assim, insistimos no modelo único e na padronização crescente do ensinar e do aprender.

Estamos cegos. Recusamo-nos a perceber que há infinitas formas válidas, eficientes e eficazes de promover a aprendizagem. Na verdade, trata-se apenas de reconhecer o enorme poder de criação do homem para perpetuar suas conquistas e tradições. Trata-se apenas de reconhecer que a busca da padronização aniquila o nosso poder de criação para transmitir por meio de práticas educativas o nosso legado às futuras gerações.

Existem alternativas válidas e diferentes do modelo único escolarizado de ensinar e aprender? Os textos coligidos na presente coletânea orbitam em torno dessa questão. Trata-se, propriamente, não de focalizar a crítica ao modo escolar instituído há tantos séculos. O que se pretende, na verdade, é fazer a apologia da diversificação e defender o rompimento com o modelo único de ensinar e aprender. Acreditamos que o poder de criação do homem, no campo da educação, é bem maior do que ele próprio reconhece.

Os organizadores

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Elizabeth Tunes (org.)